13/04/17 por Daniela Diniz

Fechamos o primeiro trimestre. Para grande parte das pessoas que conversamos, fazemos negócios e fechamos contrato, a sensação é a de que já estamos em outubro, de tanto que estamos trabalhando. Isso é um bom sinal. O ano de 2016 ficou marcado pela paralisia. Na incerteza de que rumo seguir, ficamos parados, esperando sempre o sinal do outro para dar o próximo passo, tomar uma decisão, assumir um risco. O problema é que o outro também não dava nenhum sinal. No jogo de empurra, o Brasil não andou. Resultado: um PIB negativo de 3,6% e milhões de profissionais em busca de recolocação. Embora tímido, já conseguimos sentir um movimento diferente nestes primeiros 100 dias de 2017. Não temos ainda como afirmar se a curva da recessão já passou, mas temos a certeza de que saímos da paralisia.

Numa recente enquete que fizemos no nosso portal sobre a percepção do primeiro trimestre, colhemos mais respostas otimistas do que pessimistas. Para 11% dos 280 respondentes, o cenário é muito animador. Essa parcela respondeu que já conseguiu realizar muito mais negócios entre janeiro e fevereiro do que 2016 inteiro. Outros 31% se revelou otimista, afirmando que já enxerga um mercado mais aquecido, com mais oportunidades, vagas e crescimento. A turma dos realistas soma 36% de pessoas que não sentiram nem melhora nem piora no quadro. É fato que um desemprego que atinge quase 13 milhões de pessoas ainda tira o sono de muita gente e que essa situação não vai mudar nos próximos três meses (o que explica termos 22% de pessoas ainda pessimistas em relação ao ano). A tendência é que 2017 seja um ano de recuperação da estabilidade, para só depois iniciar uma retomada. E isso deve demorar um pouco. A boa notícia é que saímos da estagnação e já ouvimos de recrutadores e profissionais de recursos humanos que as vagas começam a descongelar.

De acordo com um levantamento feito com 340 companhias da nossa base, a expectativa é de abrir 39 777 vagas nos próximos seis meses. O Mercado Livre, por exemplo, tem projetada a abertura de 367 vagas para 2017, sendo 49 para nível de gestão. As posições são para todas as áreas da empresa, especialmente para Atendimento ao Cliente e Tecnologia. A previsão da área de Recursos Humanos é aumentar o seu quadro de funcionários no Brasil em 24% neste ano. A movimentação de companhias como o Mercado Livre já é sentida por headhunters de diferentes escritórios em São Paulo, que afirmam que o telefone voltou a tocar – numa metáfora para ilustrar o reaquecimento nas contratações. A Michael Page, por exemplo, consultoria especializada no recrutamento de média e alta gestão, identificou um aumento no número de novas posições e contratações de executivos, especialmente na área de vendas. Segundo a consultoria, nos dois primeiros meses deste ano, houve aumento de 22% em novas vagas para profissionais desse setor e de 12% nas contratações em relação ao mesmo período do ano passado. Os segmentos mais aquecidos, segundo a consultoria, são TI, Healthcare, Bens de Consumo, Agro, Indústrias de Base – além das startups, que não param de crescer.  É claro que o momento ainda exige cautela e algumas contas no vai-e-vem do orçamento, mas existe um respiro – e só isso já é animador. Que o fechamento do semestre possa consolidar essa percepção – e que voltemos aos poucos a ter apetite pelo risco – tão vital para o crescimento e para inovação. 

 

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