06/10/17 por Daniela Diniz

O que seu filho vai ser quando crescer? Ele não sabe, você não sabe, nem o mercado sabe ainda. Segundo o US Departament of Labor, duas em cada três crianças do Ensino Fundamental irão trabalhar em funções que ainda não existem. Essa foi apenas uma das provocações compartilhadas pela equipe do Google, na última terça-feira, durante o evento RE-INVENTE: AS PESSOAS, OS NEGÓCIOS E A SOCIEDADE NA ERA DIGITAL, realizado em parceria com o Great Place to Work.

No moderno espaço Partner Plex, em São Paulo, um lugar construído para promover conversas estratégicas sobre inovações e tendências, Fábio Coelho, CEO do Google, abriu o evento falando aos executivos presentes sobre o novo conceito de competição de mundo dos negócios. “Quem se achava concorrente, hoje é parceiro”, reforçando a importância de compartilhar – dados, conhecimento, experiência – no mundo que não para de se reinventar.

O próprio Google, nascido há menos de duas décadas, precisou passar por inúmeras reorganizações e reinvenções ao longo do tempo – e deve permanecer nesse ritmo. Se não mudamos o tempo todo, alguma coisa está muito errada. Esse foi o recado passado pelo time do Google aos executivos. Afinal, os produtos, os serviços, os conceitos estão mudando num intervalo de tempo cada vez menor. Pense no que significava o Blackberry em meados dos anos 2000. Em 2010, o Blackberry detinha 43% de market share. Hoje, apenas 3%.  E como nos comunicávamos em 2008? Telefone fixo, celular e MSN. O Whatsapp foi lançado apenas em 2008 e ganhou popularidade no Brasil alguns anos depois apenas. Hoje, o telefone fixo virou um artigo praticamente obsoleto num país que chegou à incrível marca de 208 milhões de smartphones. A velocidade assusta, mas deveria empolgar também.

Precisamos, como disse Fabio Coelho, aprender e reaprender o tempo todo. Do contrário, corremos o sério risco de morrer. O problema é que o desenho organizacional tradicional, com sua ainda pesada hierarquia, muitas vezes impede esse pensamento nas empresas, emperrando a geração de ideias e a troca de conhecimento. Por isso, é preciso repensar seu jeito de trabalhar e a forma como você se conecta com seu time. E isso começa pela porta de entrada – é fundamental saber muito bem quem você deseja colocar para dentro da sua organização. A contratação no Google – e nas empresas que estão se reinventando o tempo todo – é levada extremamente a sério. É preciso também dar autonomia para saber cobrar resultados. E, em hipótese alguma, abrir mãos dos dois “P”: Performance e Propósito. Porque o que sustenta as empresas durante suas revoluções por minuto não são apenas as ideias geniais, mas a cultura – essa sim é a grande responsável por fazer a engrenagem funcionar sempre, independentemente das mudanças velozes impulsionadas pela tecnologia. Sim, a tecnologia. Encarada muitas vezes como vilã da atualidade, uma espécie de assassina da vida artesanal, precisa ser recebida como sua aliada, não sua inimiga. Afinal, a inteligência artificial não vai roubar seu emprego – como pregam os ermitões do século XXI – ela vai apenas roubar suas horas trabalhadas. E isso, acredito, todos nós queremos.

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***Após figurar por sete anos no topo do ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, o Google entrou para a categoria LEGEND – um grupo formado por companhias hors-concours quando falamos de ambiente de trabalho e gestão de pessoas. Desta forma, o Google saiu da lista, mas não cortou seu vínculo com o mundo das boas empresas para trabalhar. Ao contrário. Sua participação agora será mais envolvente e estratégica, como esta que ocorreu na última terça-feira, em São Paulo.