Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

14 maio, 2020 • 6:30

Se você consultar um nutrólogo ou nutricionista, ele lhe dirá que, durante o almoço, o importante é a tranquilidade e a concentração no alimento. Se você consultar uma pessoa de negócios, ela lhe dirá que, durante o almoço, o importante é a conversa e a concentração no interlocutor.

Almoços de negócios são parte importantíssima da vida de todos executivos e empresários. Eles são momentos muito apropriados para a construção dos relacionamentos profissionais. É nessa conversa, lubrificada por um bom azeite, que nos informamos sobre a estratégia de negócios, as necessidades e a chance de fecharmos negócio, com nosso cliente em potencial. É nessa hora, na conversa, entre o couvert e a sobremesa, que avaliamos se um fornecedor é mesmo digno de confiança. É ali, enquanto lidamos com guardanapos, copos e talheres, que buscamos compreender a visão dos dirigentes de nossa empresa para que possamos adequar nossa atuação. Se apenas alguns negócios de fato são fechados durante almoços, uma enormidade deles têm ali seu promissor início.

A quantas andam seus almoços durante a semana? Com quem você tem almoçado de segunda à sexta? Aposto que sei a resposta… Você tem almoçado com a mesma turma todos os dias: seu cônjuge e filhos. Vez por outra a coisa muda um pouco e Rex, o pet da família, participa com um bocado. Acertei? Compreensível, durante este período de isolamento social por conta da pandemia, de fato não temos como variar os comensais. Mas e antes da pandemia, como eram seus almoços? E depois da pandemia, como serão?

Muitos de nós almoçamos com os mesmos colegas de trabalho todos os cinco dias da semana, nas cerca de 48 semanas que trabalhamos no ano. Aqueles que são nossos vizinhos de mesa no escritório, também são nossos vizinhos de mesa no restaurante por quilo. Gente que conhecemos bastante bem, pois estamos (ou ao menos estávamos!) juntos no almoço por, calcule, 15.000 horas por ano ou mais! Que enfadonho! Quando almoçamos sempre com os mesmos, deixamos de conhecer outros assuntos, outros pontos de vista e outras oportunidades que viriam até nosso conhecimento, se variássemos nossos acompanhantes de repasto. Diversidade, além de ser palavra da moda, é um conceito importante para seu Networking. Viver em contato com uma gama diferente de personalidades nos torna pessoas mais amplas, mais sábias e – muito importante no Networking – mais interessantes.

Almoços durante a semana são excelentes oportunidades para estreitar laços com sua rede de relacionamento profissional e pessoal. Então, que tal, no futuro, usar desse precioso tempo para reconectar-se com seus contatos e fortalecer laços? Se o tempo for curto, faça um almoço rápido num restaurante por quilo ou mesmo um sanduíche numa simples padaria. O que comerão, nesse caso, pouco importa. Seu objetivo nesse almoço não é ter um encontro com a alta gastronomia, mas com seus contatos. Nesse almoço seu objetivo não é agradar as suas papilas gustativas, mas, sim, alimentar seus neurônios e agradar seu coração.

Uma boa iniciativa é colocar uma meta de, por exemplo, almoçar com alguém diferente em dois dias na semana. Pode bem ser apenas gente da mesma organização onde você trabalha. Convide alguém novo para almoçar e abra o jogo: diga claramente que quer conhecer mais colegas, conhecer o que fazem, quem são, o que lhes interessa, ganhar em conhecimento e dividir o que sabe. Deixe claro que seu único objetivo é Networking ou em outras palavras, relacionar-se pelo bem que isso faz a todos – a você e ao seu interlocutor –, sem segundas intenções. Quando o outro fica sabendo de suas reais intenções, tranquiliza-se e a confiança nasce. Ela ou ele possivelmente ficará feliz com sua iniciativa, pois quase todos queremos ampliar nossos círculos de relacionamento.

Se você tiver vergonha de abordar diretamente pessoas com as quais não tem intimidade, comece por aquelas com as quais já teve contato, mas que conhece pouco. Se sua vergonha nem isso permitir, peça para alguém que você conhece bem para convidar um outro colega de quem ela é intima e você não, para um almoço a três. No almoço seguinte as coisas se invertem: é a sua vez de convidar alguém que conhece bem e que seu amigo não conhece. E assim siga, fazendo novos almoços, trocando o amigo e o desconhecido, mas sempre com pouca gente, três ou quatro apenas, para que tenham boa chance de conversar e conhecerem-se. Você terá criado uma espécie de pirâmide da amizade, algo muito eficiente para ampliar sua exposição aos demais na organização onde trabalha e, mais importante ainda, terá criado uma fonte inesgotável para ampliar seu repertório. Isso é Networking na veia!

Como substituir o Networking no almoço pelo virtual

Mas e agora, durante este período em que estamos contidos por conta da pandemia, o que podemos fazer? Muito há a fazer. Mesmo agora, de sua casa, você pode tomar atitudes muito efetivas a favor de sua rede de relacionamentos, como:

1. Elabore uma lista de seus conhecidos. Todos eles. Vá dos parentes e amigos íntimos até os apenas conhecidos e gente com quem você teve um ligeiro contato. Se quiser ampliar o radar, considere até mesmo os amigos de seus amigos.

2. Agora, organize essa lista por segmentos. Nomeie os segmentos que façam mais sentido para você. Por exemplo:

– Contatos íntimos

– Contatos frequentes

– Contatos esporádicos

– Contatos ausentes

– Contatos que gostaria de ter

3. Pensando em cada categoria e em cada nome, avalie quais desejaria reforçar, retomar ou iniciar o contato. E quais pode excluir de sua lista. É importante ter uma lista limpa, atualizada. As pessoas morrem, perdem emprego, mudam-se, desaparecem de seu radar, vocês brigam ou simplesmente deixam de ser significativas para você. Também é importante ter uma lista realista: será que faz mesmo sentido você colocar na lista daqueles que deseja ter contato o Barack Obama, a Cara Delevingne e o George Soros?

4. Com a lista limpa, pense porque deseja esse contato/o que ele representa para você. Qual sua motivação em ter/manter/estreitar essa relação? Pode ser apenas porque gosta dessa pessoa, aprende com ela, quer ajudá-la ou porque ela pode ajudá-lo em algum assunto específico. Não importa o motivo, mas importa que você tenha ciência dele e deixe-o claro para o outro. Uma relação sincera traz confiança, que é a base de um relacionamento sólido e sereno. Pense ainda o que você pode fazer por aquela pessoa. Como pode ser útil? Quem sabe pode apresentá-la a alguém? Ou oferecer um artigo que leu e que pode ser do interesse de seu contato?

5. A próxima etapa é pensar quais os meios mais adequados e éticos para acessar seus contatos com honestidade, naturalidade e polidez. Como neste momento a reunião pessoal está inviabilizada, o jeito (aliás, um ótimo jeito) é recorrer aos meios digitais. Como você fará para entrar em contato? Um e-mail? Um pedido de contato no Linkedin? Tem intimidade para que se falem por texto no WhatsApp? Que tal uma ligação?

6. Estruture a seguir o que pode fazer agora, já, neste momento, durante o período de isolamento social. E também programe o que farão após este período de exceção. Aqui, estão algumas alternativas para você aquecer seus contatos durante o período de isolamento:

– Uma conversa pelo WhatsApp entre amigos, algo simples, porém cheio de sinceridade e afeto. Basta um “Quero saber de você. Você está bem?”, já aquece corações e aproxima pessoas.

– Mandar uma nota sobre algo que leu e que pode interessar a aquela pessoa.

– Mandar uma lista de séries ou filmes bacanas (e não óbvios!) que você acha que serão do gosto de seu contato. Ou um comentário sobre um livro que leu, gostou e recomenda. Ou até mesmo uma playlist bacana do Spotify. Nesses casos é preciso alguma intimidade e sobretudo conhecimento do perfil da pessoa para quem mandará as recomendações.

– Mandar alguma foto de quando trabalharam ou estudaram ou viajaram juntos. Doces recordações de um passado em comum são raízes e fortes ímãs a nos reconectar.

– Abrir uma sala no Zoom ou Webex com seus amigos ou ex-colegas do trabalho ou escola. Alegre conversa fiada apenas, recordações do passado. Nenhum objetivo específico, apenas o reencontro e a celebração de sua conexão.

– Pedir algo que a pessoa tenha, que nada custe a ela e que você queira, como aquela receita especial, mineira, de pães de queijo. Até mesmo algo simples e inocente como isso, desde que feito com sentimento e sinceridade, aproxima.

– E você pode também já sugerir o reencontro pessoal de vocês após este período de isolamento. Agendem no futuro pós-pandemia um café da manhã, um almoço ou um final de semana com as duas famílias. Mesmo que ainda não seja possível fixar uma data, a intenção é sua conexão de amor.

Tudo pela conversa. Tudo pelo contato. Tudo pelo convívio, ainda que via web.

Quando as coisas voltarem ao normal…

Já se disse, será outro normal. Nesse novo normal nós, possivelmente, trabalharemos mais remotamente, em casa. Se assim for, teremos menos almoços com conhecidos durante a semana. Não tem importância alguma, pois você continua podendo marcar seus almoços com muita gente diferente. Aliás, será até mais bacana pois, todo mundo estando mais em casa, todos estaremos mais abertos e desejando encontrar outras pessoas, arejar a cabeça, sair um pouco de casa e trocar conversa.

Enfim, conversar com gente nova e interessante o exporá a uma série de novos conhecimentos, pontos de vista, versões diferentes para um mesmo fato. Você conhecerá habilidades e debilidades, conceitos e preconceitos, histórias, angústias, vitórias e derrotas. Superação. Você crescerá em conhecimento, ganhará repertório e isso o tornará uma pessoa com mais assunto e com referências mais amplas. Repertório importa muito em seu Networking, pois o torna uma pessoa mais interessante e atraente aos olhos dos outros. Lembre-se do subtítulo de meu livro que revela o segredo do bom Networking: seja interessante, não interesseiro.

Então, chacoalhe a mesa! Largue a turminha de sempre e vá almoçar com os da calçada oposta! E enquanto o novo coronavírus não permitir encontros cara a cara, faça-os tela a tela.

Planeje agora seus futuros almoços, liste com quer se relacionar e comece já, agora mesmo. O isolamento, alguém já disse, não é social, mas físico. Durante a pandemia, respeite o isolamento físico, mas aproveite e vá fundo na aproximação digital!

CTA Livro Networking versus Notworking-01

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