Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

27 fevereiro, 2020 • 2:55

Algumas palavras são muito usadas no mundo corporativo: inovação, meritocracia, parceria, competitividade, engajamento, otimização. Em sua origem, essas palavras tinham um significado e um valor; mas de tão faladas deixaram de ser ouvidas, perderam potência e agora provocam bocejo, quando não náusea. Já outras palavras como serenidade, calma, equilíbrio, equidade e bem-estar parecem proibidas nos aguerridos ambientes de negócios. Há também um conceito poderosíssimo, muito usado na música, no cinema, nas séries e novelas, mas que, no mundo dos negócios, só tem vez quando ajuda nas vendas do dia dos namorados e do dia das mães: amor.

Parece que se falarmos de amor no mundo dos negócios todos vão “amolecer” e a produtividade vai para o ralo. Parece que se vivermos de modo amoroso e fraterno nos negócios, perdemos o “espírito animal” que empresários neandertais, digo, neoliberais, tanto veneram. Como se esse espírito predador e de destruição fosse algo bom. Fatigados e fatigantes economistas adoram citar o espírito animal como a alavanca que move a economia. E talvez eles estejam certos. É provável que o espírito animal do empresário seja mesmo a alavanca dessa economia ainda injusta, poluidora, que destrói a natureza, provoca doenças, burnout, depressão, suicídio e espalha miséria por toda parte. Mas é esse o mundo que queremos? Começa a parecer que não.

Toda uma geração de profissionais – gente na casa dos quarenta ou menos – começa a estruturar uma nova economia, que por sua vez gera uma nova relação com o mundo do trabalho. Esses empreendedores e executivos parecem querer algo mais. Não mais aceitam o caduco sangue nos olhos e faca nos dentes. Estão mais para brilho nos olhos e faca na pia. Se ainda não falam da associação amor/trabalho/negócios, ao menos já têm práticas mais alinhadas com esse conceito.

E um novo networking, que surge agora, é um bom exemplo dessas novas práticas – amorosas práticas – que passam a se instalar no mundo dos negócios. O Networking dos abaixo de 40 e poucos anos, não é o mesmo Networking dos executivos e empresários mais velhos. Essa moçada nasceu e vive o conceito de sustentabilidade em todos os setores de suas vidas. Ela compreende que as relações todas, as de trabalho inclusive, tem que ser sustentáveis. Comportamentos como manipulação, mentira e dissimulação não são aceitos pelas novas mulheres e pelos novos homens de negócios. Networking para esses é algo honesto, justo, sincero, sereno, construtivo e de duas mãos. Networking para eles é manter relacionamentos saudáveis pelo bem que esses relacionamentos propiciam não apenas para as partes envolvidas, mas para toda a humanidade. Isso, ainda que não se mencione a palavra, é amor no mundo dos negócios.

Louis Armstrong, em sua lindíssima interpretação da canção What a wonderful world, de George Weiss e Robert Thiele, afirma que relacionar-se com as pessoas é amá-las: I see friends shaking hands, saying “how do you do?”, they’re really saying “I love you!” (Eu vejo amigos se cumprimentando, dizendo “como você vai?”, eles estão realmente dizendo “eu te amo” em tradução livre para o português).

É isso! Exatamente isso. Quando nos relacionamos, amamos. Qualquer outra forma de relacionamento que não seja a troca de amor é manipulação falsa e egoísta, e, portanto, inadequada, imoral e ineficiente. Não se sustenta e não tem futuro. NOTworking.

Ame seus relacionamentos, também nos negócios, sem vergonha alguma e com todo seu sentimento. Seus relacionamentos merecem esse amor. Você, sua carreira e a humanidade, também.

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3 Comentários

  • Postado por: Fábio Quiroga •

    Excelente reflexão. Concordo plenamente contigo, mestre Caldini. Parabéns e muito obrigado por compartilhar.

  • Postado por: Cecilia •

    Texto muito oportuno e Armstrong dando o tom.Parabens!

  • Postado por: Cecilia •

    Texto oportuno e Armstrong dando o tom,parabéns!

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