Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

23 abril, 2020 • 9:07

Networking é relacionamento. Relacionamentos que fazem bem à nossa carreira, nossos negócios e à nossa vida como um todo, e com todos. São relações de troca de afeto, apoio, informações e viabilização de oportunidades.

É fácil conceber relacionamentos harmônicos e profícuos com gente que gostamos. Mas como construir e manter um relacionamento com gente que não gostamos, com os desafetos? Quer alguns exemplos?

– Chefes: aquelas pessoas obtusas que não reconhecem nossa genialidade.

– Pares: oportunistas que atropelam a ética e fazem qualquer negócio para crescer.

– Subordinados: incompetentes que não fazem nada direito.

– Fornecedores: sujeitos que nos esfolam cobrando caro pelo que precisamos.

– Clientes: antipáticos que só querem saber de ampliar seus descontos.

Como alguém tão bacana como nós, pode se relacionar com essa gente?! Mais do que isso: em tempos de pandemia, de sofrimento, de angústia, precisamos mesmo trazer mais um desconforto para a nossa vida? Precisamos mesmo de mais esse desconforto que é lidar com aquele sujeito, aquele lá, que tanto nos causa o revirar de olhos?

É um fato da vida: existem pessoas que gostamos e pessoas com as quais não temos afinidade. Isso acontece no nosso ambiente de trabalho e em nossa família, na nossa vizinhança e na escola. Só que nunca conviveremos apenas com quem gostamos. Tempos como os atuais, nessa crise da pandemia, nos lembram que nunca viveremos exatamente do jeito que queremos, que gostaríamos ou mesmo que, cuidadosamente, planejamos. É prudente sempre prever o imprevisível.

Precisamos, então, aprender a viver não só em situações adversas – está, aí, a pandemia para nos ensinar essa difícil lição –, mas a conviver também com as pessoas com as quais não temos simpatia. Seja de forma virtual, como a maioria de nós está se relacionando e fazendo Networking agora, seja presencialmente, quando, enfim, pudermos retomar os hoje tão saudosos encontros com aquele verdadeiro calor humano.

Conviver apenas com aqueles que nos agradam não é nem uma opção madura nem, convenhamos, viável. Por vezes o médico mais qualificado não é aquele que você acha mais simpático. Mas quem você escolhe para sua cirurgia: o mais simpático ou o mais bem preparado? O mesmo acontece no trabalho: mesmo não tendo grande afinidade com algumas pessoas, teremos que trabalhar com elas. E começar a exercitar essa habilidade social pode ser até mais fácil em tempos como os de agora, de troca única e exclusivamente online. Nada como ter aquele tempo extra para pensar melhor e responder no chat com toda calma e finesse o comentário não tão agradável de um colega de trabalho. Alguns chamam isso de inteligência emocional. Eu chamo de equilíbrio mesmo — ou educação.

Certa vez, quando estava ainda em começo de carreira, reclamei com meu chefe sobre um dos membros de minha equipe, e ouvi dele o seguinte: “Caldini, você acha que trabalho apenas com quem eu gosto? Eu trabalho com quem eu tenho!” Tal observação calou fundo. Meu chefe tinha razão. O papel do administrador, na verdade, o papel do profissional, é trabalhar com os recursos que dispõe. Seu mérito está em fazer do que dispõe, algo muito melhor do que apenas o que dispõe.

Esse mesmo raciocínio funciona para o seu Networking. Ainda que seja mais fácil e agradável nos relacionarmos apenas com os que nos querem bem e pensam de modo similar ao nosso, o mérito está em agregar os que nos são diferentes. Notar o outro, ouvir o outro e compreender seu modo de ver o mundo, aí mora grande mérito. Mora não só o grande mérito, mas, quiçá, a solução para problemas tão complexos como os que enfrentamos na atualidade. Contar com a pluralidade de pensamentos é fundamental para enxergar situações por prismas diferentes e, assim, chegar a resoluções criativas.

Podemos não concordar com as posturas do outro, mas sempre podemos buscar compreende-las. E onde cresce a compreensão não há espaço para o conflito, para a intriga, para a maledicência, para a desconfiança e tantos outros males que detonam qualquer relacionamento, produtividade e felicidade.

Então, que tal reconsiderar aqueles que julga não merecerem sua atenção e seu respeito? Que tal, de fato, empenhar-se em compreender o outro, sem preconceito algum? Que tal ampliar seu Networking, fazendo dele uma rede de relacionamentos mais ampla, generosa, inclusiva, diversa, fraterna e interessante? Que tal colocar isso em prática agora, durante o isolamento social, com as ferramentas que temos em mãos? Quando você promove uma rede que viabiliza a paz e o entendimento, quem ganha? Ganham todos, e você, antes de todos.

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