Por: Bruno Arins

Redator do GPTW

Por: Bruno Arins

Redator do GPTW

13 novembro, 2019 • 2:41

Seja por falta de confiança interna ou por medo do diagnóstico, muitas empresas deixam de aplicar a pesquisa de clima na crise ou quando estão passando por um momento um pouco delicado. Acontece que não aplicar uma pesquisa de clima para não receber um feedback negativo é tão sem sentido quanto não ir ao médico para não receber um diagnóstico ruim

Para Lina Nakata, cientista de dados do Great Place to Work Brasil e doutora em Administração, “não importa o momento em que a pesquisa é feita, mas como ela é feita.” Por isso, neste artigo, vamos entender melhor os motivos que levam as empresas a ignorarem essa ferramenta tão importante, além de conhecer o curioso caso da Caterpillar.

Por que as empresas evitam a pesquisa de clima em fase de crise

Muitas vezes, as empresas não aplicam a pesquisa de clima na crise por não considerar aquele determinado período como comparável com outros momentos. Entretanto, quanto mais difícil a situação, mais é preciso medir a satisfação dos colaboradores para saber o que está bom e o que não está tão bom assim. Do contrário, pode-se perder o controle da situação.

Entre outros motivos que levam as empresas a fugir da pesquisa de clima, estão:

  • A empresa não foi certificada ou premiada: por mais que estes sejam os seus objetivos, tenha em mente que eles só serão alcançados quando os colaboradores estiverem satisfeitos com o ambiente de trabalho. Neste caso, a pesquisa de clima mostra o que é preciso melhorar para chegar lá.
  • O desinteresse da alta liderança: se você julga importante aplicar, mas seu chefe não, procure entender melhor os motivos dele e, assim como na pesquisa de clima, fazer uma sensibilização. Também é importante firmar o compromisso de trabalhar os resultados da pesquisa e, portanto, contribuir com o crescimento da empresa. Reunimos AQUI alguns dados para você mostrar para a liderança e comprovar os impactos da gestão de clima.
  • Não vejo benefício em ser certificada: por falta de conhecimento ou habilidades, muitas empresas acabam não extraindo todo o potencial de ser um great place to work. Por isso, nós temos um webinar que explica como usar o selo de certificação para trabalhar o Employer Branding.
  • A empresa passa por um momento delicado: como falamos no início, o período de crise é talvez o momento mais indicado para fazer a pesquisa de clima. A diferença está na maneira como ela é conduzida, como você vai entender em seguida no caso da Caterpillar.

Como a Caterpillar manteve-se no ranking GPTW mesmo em crise

De todas as histórias das melhores empresas para trabalhar, esta é uma das que sempre lembramos aqui no GPTW. A Caterpillar, fabricante de equipamentos para a construção civil, começou a aplicar a nossa pesquisa de clima em 1997. Em 2004, ela figurou pela primeira vez no nosso ranking nacional.

O ano era 2009 quando a fábrica de Piracicaba, no interior de São Paulo, enfrentava dificuldades decorrentes da crise econômica do ano anterior nos Estados Unidos. Por ser uma empresa multinacional, todas as suas unidades foram afetadas. Por aqui, seria preciso reduzir o quadro de funcionários para evitar o fechamento da empresa no Brasil.

Na tentativa de fazer um processo o mais humanizado possível, a Caterpillar procurou agir com transparência junto aos funcionários, apresentando os números, decisões e motivos que levaram a empresa a ter que realizar uma demissão em massa. Para minimizar os efeitos dessas demissões, um dos principais critérios de desligamento foram as relações familiares, já que havia muitos colaboradores de uma mesma família. Logo, ao desligar pessoas de famílias diferentes, seria possível diminuir o impacto.

No discurso usado pela empresa, também foi deixado claro que, conforme a situação econômica apresentasse melhora, os ex-funcionários seriam recontratados — e foi o que aconteceu. O resultado foi que, naquele ano, a Caterpillar alcançou o primeiro lugar no ranking nacional das Melhores Empresas para Trabalhar. Nos anos seguintes, ela ainda manteve-se sempre entre as cinco primeiras, voltando a liderar o ranking nos anos de 2018 e 2019, mostrando que a crise não influenciou na satisfação dos colaboradores.

Segundo Lina Nakata, dados internos do GPTW mostram que, mesmo em momentos difíceis do cenário econômico do país, o índice de confiança não se abala. O que pode explicar esse padrão é que, mesmo nessas situações, as melhores empresas conseguem transmitir segurança para os colaboradores, mostrando que está engajada e que precisa ainda mais das pessoas para que sejam produtivas e eficientes.

Uma maneira de antecipar expectativas é entender o que você pode fazer a partir dos feedbacks dos colaboradores sobre o ambiente de trabalho. Para isso, preparamos um conteúdo especial sobre como trabalhar os resultados da pesquisa de clima. Confira!

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