Por: Lygia Haydée

redatora do GPTW

Por: Lygia Haydée

redatora do GPTW

27 março, 2020 • 5:53

A partir do momento em que a Organização Mundial de Saúde (OMS) decretou oficialmente a pandemia decorrente do novo coronavírus, milhões de pessoas no mundo todo tiveram que lidar com sentimentos desafiadores como a angústia, o medo e a incerteza . Com o isolamento social recomendado para conter a propagação do vírus, esse turbilhão de emoções acaba se intensificando.

Muitas pessoas vivem, hoje, reclusas temporariamente, trabalhando, inclusive, de forma remota. Elas estão há dias confinadas em seus lares, pedem comida e outros serviços delivery, mantêm contato com familiares e amigos à distância e até se exercitam dentro de casa. E é justamente toda essa mudança de rotina, aliada à incerteza do cenário atual e ao confinamento, que podem atrapalhar a saúde mental, dando espaço para o estresse, a ansiedade e a insônia, por exemplo.

É claro que essas questões que afetam a saúde mental e que se agravam em tempos de crise, não vêm de hoje. De acordo com um levantamento feito pelo grupo Marsh & McLennan Companies, nove em cada dez brasileiros apresentam sintomas de ansiedade no trabalho, sendo que 47% deles sofrem de algum nível de depressão, o que configura uma das principais causas de afastamento no Brasil. Além disso, de acordo com o ISMA – International Stress Management Association, 72% dos brasileiros têm alguma sequela do burnout, seja em nível leve, intermediário ou alto.

Não é de se espantar, então, que diante da Covid-19 esses sentimentos fiquem ainda mais latentes. “Uma situação como essa de incerteza e perda de liberdade pode ser um fator a mais para o desenvolvimento desses sentimentos. Para evitar isso, é sempre importante estar em contato pessoas com quem você possa dividir suas preocupações e desconfortos, e manter aquelas atividades que você sabe que fazem bem a você e o mantém em equilíbrio”, avalia Marina Sobral, diretora regional GPTW Rio de Janeiro e psicóloga.

Encontrar meios de contenção da ansiedade pode não só ajudar a manter a saúde mental, como também permite que você esteja apto a agir com foco, discernimento e criatividade diante do dia a dia do home office. “A orientação mais importante é se observar e perceber qualquer alteração no seu funcionamento que está te deixando com pensamentos predominantemente negativos, provocando alteração no sono, na alimentação, nas relações, e paralisando atividades. Mais do que nunca precisamos nos concentrar naquilo que está dentro do nosso controle”, diz a especialista. “Apesar do futuro parecer mais incerto agora, ele, na verdade, sempre foi incerto. E o exercício do aqui e agora nunca foi tão essencial”, lembra Marina Sobral.

Pensando nisso, o GPTW conversou com psicólogos que trouxeram algumas dicas práticas e simples para estimular o desenvolvimento de habilidades comportamentais importantes nesse momento de tensão e incertezas.

1. Mantenha uma rotina

Pode parecer simples, mas a rotina é uma forma de você proteger a organização mental. Por isso, estabeleça horários de trabalho, pausas, refeições e não se esqueça de criar momentos de lazer e de descanso, fazendo com que o cérebro entenda que, apesar do isolamento, você tem tarefas a serem concluídas. “Cada um responde de forma muito particular e individual nessas situações, então, é importante a gente se observar e ver o que vale para a nossa realidade, para a nossa família e para a nossa equipe”, conta Sobral.

É claro que, no caso de colaboradores que têm crianças e adolescentes em casa, é necessário adaptações e flexibilidade para eventuais mudanças na programação. Ainda assim, você pode focar em coisas simples, como tirar o pijama, ter um local na casa destinado ao trabalho e organizar as tarefas do dia para que você tenha como se preparar para aquela jornada de trabalho.

2. Produza, mas saiba a hora de parar

O cenário de home office exige dedicação dos profissionais, pois muitas vezes é uma dinâmica nova e exige certas adaptações. Cuidado, no entanto, para não extrapolar seus limites ao trabalhar em casa, o que também aumenta o cansaço e pode fazer com que você entre em um estado de estresse.

Por isso, aliás, que é tão importante reservar momentos para o lazer ou para estudar. Diversas  faculdades e instituições de ensino abriram cursos gratuitos ao público no período da quarentena, como é o caso, por exemplo, da Fundação Getúlio Vargas, Casa do Saber e da Faber Castell. Na primeira, há cursos de aprimoramento para a carreira, enquanto a segunda e a terceira focam mais em aulas para desenvolver talentos variados e ampliar o conhecimento. No canal do GPTW no YouTube, também criamos playlists de vídeos educativos para a liderança, para o RH e sobre diversidade.

3. Cuidado com o excesso de informações

Em tempos de pandemia é normal que você seja bombardeado por notícias sobre os rumos do avanço da doença, mas tome cuidado, pois rumores e especulações podem alimentar a ansiedade. Ter acesso a informações de qualidade e credibilidade são essenciais neste momento, fazendo até mesmo com que o seu trabalho flua melhor, já que isso o ajuda a se sentir mais no controle.

“O excesso de notícia e informação também pode ser um gatilho para a ansiedade, portanto escolha apenas um ou dois horários por dia para se informar e somente através de fontes seguras. Passe reto pelos compartilhamentos no WhatsApp, silencie grupos, feche abas de notícias e desligue a televisão se necessário”, aconselha Sobral.

4. Não se isole emocionalmente

Apesar de você estar distante de tudo e de todos, é importante manter as relações sociais de alguma forma. Lembre-se que o ser humano é uma criatura social, então, ficar solitário pode agravar a ansiedade e o estresse.

Sempre que puder, marque reuniões virtuais com os seus colegas de trabalho ou clientes, bem como encontros com amigos e familiares em momentos de lazer. “Aumentar o contato online ou por telefone com as pessoas que geralmente estão no seu convívio social ajuda a amenizar o isolamento social e a compartilhar sentimentos e sensações vividos neste momento de reclusão”, indica Annelise Royer, psicóloga e consultora para os mercados de Saúde e Indústria no GPTW.

Em casos de ansiedade leve, uma boa conversa com quem você ama já é de grande ajuda. Porém, se você perceber que as sensações de medo, falta de ar, insônia, pensamentos de tensão constantes e irritabilidade não passam, não hesite em buscar apoio psicoterapêutico. Você também pode ligar para o seu médico quando o estresse atrapalhar suas atividades diárias por vários dias seguidos. No webinar abaixo, listamos contatos de psicólogos prestando serviços voluntários de acolhimento:

Annelise Royer dá ainda mais uma dica: “evite usar o tempo ocioso para o uso excessivo das redes sociais. A mente pode ficar sobrecarregada de conteúdos desnecessários, aumentando o estresse.”

5. Tenha cuidado com o corpo

Respire fundo, medite, faça refeições saudáveis ​​e equilibradas, exercite-se regularmente – dentro da sua casa, claro –, e durma bem. Esses são alguns dos pontos aos quais você deve estar atento para relaxar e evitar a ansiedade, a perda de energia e a tristeza.

“Fazer exercícios físicos ao longo do dia é muito benéfico. Há até academias disponibilizando aulas online que podem ser uma forma de aumentar a interação com outras pessoas e exercitar o corpo.”, comenta Royer. A meditação pode ser outro cuidado muito positivo com o corpo e a mente neste momento, pois ajuda no equilíbrio emocional e acalma. “Aproveite também para fazer atividades que sempre quis, mas que, devido a correria do dia a dia, não cabiam na agenda, como ler livros, assistir a filmes, séries ou documentários”, completa a psicóloga e consultora do GPTW.

Nesse sentido, vale criar um menu de atividades pessoais de autocuidado. Com semanas ou meses de pandemia de coronavírus pela frente, é importante ter tempo de relaxamento e se organizar para isso. “Tente adaptar o que era feito para ocupar a mente antes da pandemia: trazer exercícios para dentro de casa, ler livros sobre outros assuntos que não sejam do trabalho, marcar programas sociais online, cuidar da alimentação, brincar com os filhos e tudo mais que ajude a trabalhar a mente”, explica Marina Sobral. Na hora de compor esse “menu”, vale ficar de olho no equilíbrio entre os momentos de lazer on e offiline.  “Mais do que nunca, é importante cuidar do detox digital, garantindo fazer algumas atividades que não dependam de recursos digitais para acontecer”, finaliza Sobral.

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3 Comentários

  • Postado por: cristina ugolini •

    Muito Bom….. tentando seguir tudo á risca …. e não perder o otimismo…

  • Postado por: NEWTON DEL CUETO GONÇALVES •

    Muito bom, já deu para estabelecer um rumo para enfrentar o que esta por vir.

  • Postado por: Lucelene Dias •

    Excelentes dicas. obrigada

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