Por: Daniela Diniz

Diretora de Conteúdo e Relações Institucionais no GPTW Brasil

Por: Daniela Diniz

Diretora de Conteúdo e Relações Institucionais no GPTW Brasil

27 abril, 2022 • 9:21

Cuidado ao seguir modismos ou criar práticas de sustentabilidade só para aparecer. ESG é assunto sério e precisa ser tratado com responsabilidade nas empresas

Tá na moda falar de ESG, a famosa sigla para Environmental (Meio Ambiente), Social e Governance (Governança). Assim como esteve na moda nos anos 2000 falar sobre Responsabilidade Social e Governança Corporativa. Quem não se lembra dos cases das empresas “verdes” e dos modelos de cidadania corporativa que ilustravam páginas de revistas e jornais, jogando luz para quem — no mundo dos negócios — fazia o bem para o mundo das pessoas?  

Na minha trajetória profissional, tive a oportunidade de conhecer de perto muitas organizações e visitar empresas que buscavam aparecer pelo bem que faziam — tanto para os funcionários quanto para as comunidades. E foi durante essas visitas e muitas entrevistas que percebi quem genuinamente mantinha uma cultura de sustentabilidade e quem apenas queria fazer barulho em cima de uma prática bonitinha, mas ordinária.   

Vivemos a mesma história agora. Ao seguir a onda do mercado sem se preocupar em penetrar nas camadas mais profundas do tema, corremos o sério de risco de surfar na superficialidade e colher frutos indigestos no futuro. Seguir tendências porque está na moda, porque traz publicidade ou simplesmente porque “pega bem” para o mercado é a pior forma de discutir questões relacionadas ao meio ambiente, às relações de trabalho e, claro, à governança.  

ESG é pauta séria e precisa ser tratada com responsabilidade. Não se inclui essa agenda na organização para obter ganhos, mas sim para evitar perdas. Esse é o motivo de falarmos tanto sobre ESG e provocarmos as empresas a construírem alicerces sólidos para poderem sobreviver num mercado instável. E construir alicerces sólidos significa praticar uma gestão responsável, consciente, inclusiva e colaborativa em todos os níveis da organização (e fora dela) – e não apenas nas áreas de RH, marketing e comunicação.

Essa é (ou deveria ser) uma agenda transversal que passa por todos os departamentos da empresa. Ou seja, precisa fazer parte da cultura da organização — o que significa praticar sem um esforço sobrenatural, mas porque faz parte do modus operandi do trabalho.  

Quando uma empresa busca ser reconhecida como um bom lugar para trabalhar, por exemplo, ela pode ter algumas intenções. A intenção genuína é fazer o real diagnóstico do seu ambiente, trabalhar os pontos apontados na pesquisa e estabelecer critérios para construir uma boa relação de confiança entre seus times para obter maior engajamento e fomentar uma melhor experiência para os colaboradores.  

Já a intenção marqueteira é buscar o selo só para exibir que naquele lugar existe gente comprometida e feliz com seu trabalho, atraindo os olhares do mercado. No primeiro caso, o selo é apenas a consequência do trabalho diário e das relações de confiança construídas ao longo do tempo. No segundo caso, ele é causa.  

Da nossa experiência de mais de 25 anos avaliando mais de 4 mil empresas só no Brasil (mais de 12 mil no mundo) sabemos que a primeira intenção é a que realmente transforma ambientes de trabalho e coloca a empresa num patamar elevado. A segunda não se sustenta.  

O mesmo vale para assuntos relacionados à diversidade e inclusão — que também fazem parte do S do ESG. Ou você acredita genuinamente que sua empresa é responsável por promover maior inclusão e diversidade nos quadros porque 1) é o certo a se fazer; 2) é justo e 3) é estratégico, ou você vai jogar dinheiro no lixo com práticas “perfumaria” para inglês ver.  

Quando nos perguntam o segredo das melhores empresas para a mulher trabalhar, por exemplo, dizemos: “não tem segredo. Elas realmente acreditam nessa pauta, disseminam esse assunto para todos e estabelecem metas para alcançar seus objetivos.” De forma resumida, elas levam esse assunto a sério e de forma responsável. Não criam práticas para aparecer, mas porque sabem que esse é o caminho para se manterem perenes num mundo de mudanças rápidas e drásticas.  

Quando olhamos para as companhias que realmente levam a sério a agenda ESG percebemos um ponto em comum: elas estão dispostas a mudar. Não se trata apenas de criar uma prática de inclusão aqui, uma meta de redução do nível carbono acolá ou estabelecer novas regras de compliance. Tudo isso é louvável, mas se solto não faz sentido algum. Todos os aspectos dessa sigla precisam ser revisitados, revisados e, uma vez transformados, precisam estar conectados. Aí sim podemos entender a cultura (ou a filosofia) ESG da empresa.  

É nesse momento que percebemos a diferença entre as empresas que criam práticas para o mercado ver daquelas que existem para a sociedade evoluir. De qual lado você quer estar?  

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