O Modelo ADDIE ganha relevância quando treinamentos bem-intencionados não se traduzem em mudança concreta no comportamento das pessoas colaboradoras.
O problema raramente está no conteúdo em si, mas na falta de método para conectar aprendizagem, contexto e objetivos do negócio.
O Modelo ADDIE entra justamente nesse ponto. Como framework de design instrucional, ele ajuda RH e T&D a estruturar decisões desde o diagnóstico das necessidades até a avaliação dos resultados — com clareza sobre por que treinar, o que desenvolver e como acompanhar impactos reais. Continue lendo!
O que é o modelo ADDIE?
O Modelo ADDIE é um framework de design instrucional que organiza o desenvolvimento de treinamentos em cinco etapas: análise, desenho, desenvolvimento, implementação e avaliação.
Ele funciona como uma estrutura lógica para planejar ações de aprendizagem com objetivos claros e critérios de acompanhamento bem definidos.
Esse modelo ajuda RH e T&D a evitarem escolhas precipitadas, como definir formatos ou conteúdos antes de compreender o problema que precisa ser resolvido. A proposta é partir do diagnóstico das necessidades e guiar cada decisão seguinte, mantendo coerência entre intenção, execução e resultado esperado.
Amplamente utilizado em projetos de treinamento corporativo, o ADDIE oferece um caminho estruturado e adaptável, que se ajusta à realidade da organização, ao perfil das pessoas colaboradoras e às prioridades do negócio.
Quais as 5 fases do modelo ADDIE?
O modelo ADDIE se organiza em cinco fases complementares que orientam o desenvolvimento de treinamentos de forma estruturada e ajustável. Cada etapa cumpre um papel claro no processo e contribui para decisões mais consistentes ao longo da aprendizagem.
1. Análise (Analysis)
A fase de Análise define o ponto de partida do treinamento. Nela, identifica-se a lacuna de desempenho que precisa ser trabalhada, o público envolvido e o contexto em que a aprendizagem acontece.
O objetivo é entender o problema antes de pensar em soluções.
Esse diagnóstico considera fatores como:
- metas do negócio;
- desafios da área;
- nível de conhecimento das pessoas colaboradoras; e
- condições reais de aplicação do aprendizado.
Quando a Análise é bem feita, o treinamento responde a uma necessidade concreta.
2. Desenho (Design)
No Desenho, as informações da Análise se transformam em um plano de aprendizagem estruturado. Aqui são definidos:
- objetivos educacionais;
- formatos;
- estratégias pedagógicas;
- critérios de avaliação; e
- a jornada do participante.
Essa fase estabelece como o aprendizado será construído, garantindo alinhamento entre o que se espera desenvolver e a forma como o conteúdo será apresentado. Um bom Design evita excessos, dispersão de temas e desconexão entre conteúdo e aplicação prática.
3. Desenvolvimento (Development)
A etapa de Desenvolvimento materializa o que foi planejado no Design. É o momento de criar conteúdos, atividades, materiais de apoio e recursos educacionais, sempre com atenção à clareza e à experiência de aprendizagem.
Essa fase exige coerência com os objetivos definidos anteriormente. Ajustes costumam surgir aqui, seja para adequar linguagem, aprofundar pontos-chave ou tornar o conteúdo mais acessível às pessoas colaboradoras.
4. Implementação (Implementation)
Na Implementação, o treinamento sai do papel e chega ao público. Essa fase envolve:
- a aplicação do programa;
- a preparação de facilitadores;
- a comunicação com as pessoas participantes; e
- o acompanhamento inicial da execução.
Também é um momento importante de observação. Reações, dúvidas recorrentes e dificuldades operacionais oferecem sinais relevantes sobre o que pode ser aprimorado nas próximas etapas do ciclo.
5. Avaliação (Evaluation)
A Avaliação analisa se o treinamento cumpriu seus objetivos e gerou impacto esperado. Ela considera tanto a percepção das pessoas participantes quanto indicadores de aprendizagem e resultados no trabalho.
Essa fase não se limita ao encerramento do programa. Seus aprendizados alimentam novas análises e ajustes, reforçando o caráter contínuo do modelo ADDIE e contribuindo para decisões mais maduras em iniciativas futuras.
Quais as vantagens de utilizar o Modelo ADDIE na sua empresa?
Utilizar o Modelo ADDIE no treinamento de pessoas colaboradoras traz mais clareza para decisões que, muitas vezes, ficam dispersas entre demandas urgentes e soluções improvisadas.
O framework ajuda a estruturar processos, alinhar expectativas e aumentar a efetividade das iniciativas de desenvolvimento, sem engessar a atuação do RH.
Facilita o planejamento e a execução de treinamentos complexos
O Modelo ADDIE oferece uma lógica clara para organizar treinamentos que envolvem múltiplos públicos, temas e formatos.
Ao dividir o processo em fases, ele reduz improvisações e ajuda a transformar demandas amplas em planos executáveis, com etapas bem definidas e objetivos compreensíveis para todos os envolvidos.
Garante que os programas estejam alinhados às necessidades do negócio
Ao começar pela análise das lacunas de desempenho, o Modelo ADDIE aproxima o treinamento das prioridades estratégicas da empresa.
Esse alinhamento evita ações desconectadas da realidade organizacional e fortalece a percepção de valor das iniciativas de T&D junto às lideranças.
Minimiza retrabalho e otimiza o uso de recursos
Decisões tomadas com base em diagnóstico reduzem ajustes tardios, refações de conteúdo e desperdício de orçamento.
O modelo orienta escolhas mais conscientes desde o início, favorecendo melhor aproveitamento de tempo, pessoas e investimentos envolvidos no desenvolvimento dos treinamentos.
Treinamentos mais eficazes, que realmente desenvolvem as competências desejadas
Quando objetivos, métodos e avaliação seguem uma mesma lógica, o aprendizado tende a ser mais consistente.
O Modelo ADDIE contribui para as competências trabalhadas fazerem sentido no contexto de atuação das pessoas colaboradoras, aumentando a chance de aplicação no trabalho.
A natureza iterativa permite ajustes e aprimoramentos constantes
Mesmo estruturado, o modelo não é estático. As informações obtidas na avaliação alimentam melhorias contínuas, permitindo ajustes em conteúdos, formatos e estratégias conforme os resultados observados e as mudanças no contexto organizacional.
Envolve stakeholders desde o início
Ao exigir alinhamento prévio sobre necessidades, expectativas e resultados esperados, o Modelo ADDIE favorece a participação de lideranças, especialistas e áreas parceiras.
Esse envolvimento amplia o comprometimento com o treinamento e fortalece sua legitimidade na empresa.
Como aplicar o Modelo ADDIE no desenvolvimento de pessoas?
Aplicar o Modelo ADDIE no desenvolvimento de pessoas colaboradoras passa menos por seguir um roteiro engessado e mais por usar o framework como apoio à tomada de decisão.
Ele ajuda o RH a sair do modo reativo e estruturar ações de aprendizagem conectadas à realidade da empresa e ao contexto de quem aprende.
Quando bem utilizado, o modelo orienta escolhas desde o diagnóstico até os ajustes finais, criando coerência entre intenção, execução e impacto percebido.
Comece sempre pela fase de Análise, entendendo as lacunas de desempenho
A aplicação do Modelo ADDIE começa pela identificação clara do que precisa mudar no desempenho das pessoas. Antes de pensar em conteúdos ou formatos, é essencial compreender:
- onde estão as lacunas;
- quais comportamentos precisam evoluir; e
- quais resultados a empresa espera alcançar.
Esse olhar evita treinamentos genéricos e direciona esforços para problemas reais. Quanto mais preciso for o diagnóstico, maior a chance de o desenvolvimento gerar efeito no dia a dia de trabalho.
Adapte o Design e Desenvolvimento à cultura da empresa
As fases de Design e Desenvolvimento ganham força quando respeitam a cultura organizacional, o ritmo das equipes e a linguagem interna.
O Modelo ADDIE permite adaptar estratégias pedagógicas, formatos e materiais sem perder a coerência do processo.
Essa adaptação aumenta a identificação das pessoas colaboradoras com o treinamento e reduz a sensação de desconexão entre aprendizado e prática profissional.
Implemente o treinamento em pequena escala e utilize a Avaliação
Ao aplicar o treinamento inicialmente em grupos menores, a empresa consegue observar reações, ajustar abordagens e corrigir pontos de fricção.
A Avaliação entra como ferramenta de aprendizado do próprio processo, não apenas como etapa final.
Os dados coletados ajudam a aprimorar o programa antes de uma implementação mais ampla, fortalecendo a consistência da iniciativa.
Incentive a participação e a busca ativa por desenvolvimento
O Modelo ADDIE funciona melhor quando as pessoas colaboradoras participam de forma ativa do processo de aprendizagem. Estimular diálogo, troca de experiências e autonomia amplia o engajamento e fortalece a aplicação do que foi aprendido.
Quando o desenvolvimento se torna uma construção compartilhada, os resultados tendem a se sustentar no tempo.
O Modelo ADDIE oferece uma estrutura clara para orientar decisões em treinamento e desenvolvimento. Ao conectar análise, planejamento, execução e avaliação, ele contribui para iniciativas mais coerentes e alinhadas às necessidades da empresa e das pessoas colaboradoras.
Para ampliar esse olhar, é importante entender também como usar o microlearning no treinamento e desenvolvimento de pessoas colaboradoras, com abordagens que dialogam com o Modelo ADDIE.
Em resumo
A metodologia ADDIE é um modelo de design instrucional que estrutura o desenvolvimento de treinamentos em cinco fases: análise, desenho, desenvolvimento, implementação e avaliação, garantindo coerência e foco em resultados.
O ADDIE Ágil prioriza ciclos curtos, testes frequentes e ajustes contínuos ao longo do desenvolvimento, enquanto o ADDIE Clássico segue uma sequência mais linear e planejada desde o início.
Os três pilares do design instrucional envolvem pessoas, processos e conteúdos, equilibrando necessidades de aprendizagem, estratégias pedagógicas e objetivos educacionais bem definidos.
O Modelo ADDIE foi desenvolvido a partir de pesquisas do Center for Educational Technology da Florida State University, nos anos 1970, para estruturar treinamentos no contexto educacional e corporativo.
Crédito da imagem: Freepik.