Como a Muralis transformou a escuta dos colaboradores em estratégia de gestão
Antes de iniciar a parceria com o GPTW, a Muralis, empresa de desenvolvimento de projetos e sistemas de tecnologia da informação, já realizava ciclos internos de escuta para entender a percepção dos colaboradores sobre o ambiente de trabalho. Entre 2018 e 2019, a empresa conduzia pesquisas de clima e, em 2021, passou a contar com a metodologia GPTW para estruturar ainda mais esse processo.
Nesta entrevista, Andrea Talavera, Responsável pelo RH/Administrativo da Muralis, compartilha como a empresa evoluiu nessa jornada, o que mudou na atuação do RH e como a escuta dos colaboradores passou a apoiar decisões relacionadas a pessoas e ao negócio:
“A Muralis já possuía uma cultura próxima e colaborativa, marcada pela confiança, pela abertura com as lideranças e pelo sentimento de equipe. Porém, à medida que a empresa crescia, tornou-se cada vez mais importante contar com uma ferramenta que ajudasse a ouvir as pessoas de forma mais ampla, imparcial e orientada por dados.”
A entrada do GPTW trouxe para a empresa uma metodologia externa, confidencial e comparável, além de indicadores e benchmarks que permitiram acompanhar a experiência dos colaboradores de maneira mais estruturada.
“A pesquisa GPTW entrou, portanto, como um marco de amadurecimento da escuta. Ela não inaugurou a preocupação da Muralis em ouvir seus colaboradores, mas elevou esse processo a um novo patamar, com indicadores, benchmark e maior robustez para apoiar decisões de gestão.”
Da pesquisa ao diagnóstico
A jornada da Muralis começou com resultados positivos e reconhecimentos nos rankings GPTW. Em 2022, a empresa foi reconhecida no ranking de Pequenas Empresas – Tecnologia da Informação. Em 2023, alcançou a 99ª posição no ranking de Pequenas Empresas Nacional e, em 2025, voltou a ser reconhecida no Ranking Tecnologia.
Mas a trajetória também teve momentos de queda nos índices de favorabilidade. Em 2023 e 2024, os resultados chamaram a atenção para diferentes aspectos da experiência dos colaboradores e mostraram que, conforme a empresa crescia, algumas dimensões da cultura precisavam ser revisitadas.
A Muralis escolheu não tratar esses resultados apenas como um indicador negativo, mas como uma oportunidade para entender melhor o que estava acontecendo.
“A jornada não foi linear, e justamente por isso ela é verdadeira. A Muralis teve resultados muito fortes, conquistou reconhecimentos importantes, passou por momentos de queda, ouviu críticas, identificou lacunas e vem buscando transformar esses aprendizados em ações.”
Nesse caso, a pesquisa ajudou a empresa a interpretar o cenário e definir prioridades.
“O principal impacto da escuta GPTW foi transformar cultura em pauta de gestão.”, afirma Andrea.
Efeito GPTW
Para o RH
A estruturação da escuta fortaleceu a atuação do RH junto à liderança. Com os resultados da pesquisa, a área passou a contar com dados e comentários dos colaboradores para apoiar diagnósticos e levar temas de cultura e experiência das pessoas para a agenda de gestão.
“Em vez de trabalhar apenas com relatos pontuais ou impressões do dia a dia, a área passou a contar com dados estruturados e comentários dos colaboradores para apoiar diagnósticos e propor ações.”
A partir dessa leitura mais consistente da experiência dos colaboradores, a empresa conseguiu identificar com mais clareza seus pontos fortes, suas lacunas e as prioridades para evolução da cultura.
“A pesquisa trouxe dados, comentários e comparativos que ajudaram a Muralis a enxergar sua cultura com mais profundidade.”
Para as pessoas
Para os colaboradores, a pesquisa representa uma oportunidade de expressar, de forma confidencial, tanto aquilo que valorizam quanto aquilo que gostariam que fosse diferente.
“Para o time, a escuta GPTW representa uma oportunidade real de voz. A pesquisa permite que os colaboradores expressem, de forma confidencial, o que valorizam na empresa e o que gostariam que fosse melhorado. Isso fortalece a confiança, porque mostra que a opinião das pessoas importa e que a empresa está disposta a ouvir tanto os reconhecimentos quanto as críticas.”
Na Muralis, essa escuta ajuda a revelar o que sustenta a experiência positiva de trabalhar na empresa. A colaboração, a proximidade com a liderança, a autonomia e a abertura para conversar aparecem como elementos importantes da cultura.
“Se tivéssemos que resumir a cultura da Muralis em uma única vivência do dia a dia, seria: pessoas que se ajudam, têm abertura para conversar e constroem soluções em conjunto.”
A empresa também identifica essa percepção em situações do cotidiano, nas relações entre colegas e na forma como as pessoas se apoiam diante de conquistas e desafios.
“Os colaboradores frequentemente descrevem a empresa como acolhedora, próxima, respeitosa e preocupada com as pessoas.”
Além de confirmar uma percepção positiva, a pesquisa permite acompanhar se essa experiência continua fazendo sentido à medida que a organização muda.
“A empresa cresceu, o modelo de trabalho mudou, novas gerações entraram, os projetos se tornaram mais complexos e as expectativas dos colaboradores também amadureceram.”
Por isso, a continuidade da escuta se torna parte importante da gestão da cultura: aquilo que funciona hoje pode precisar ser revisitado amanhã.
Para os negócios
Para uma empresa de tecnologia, a capacidade de atrair, desenvolver e reter profissionais está diretamente relacionada à capacidade de crescer. Nesse contexto, compreender a experiência dos colaboradores também significa entender fatores que podem favorecer ou dificultar a sustentabilidade do negócio.
A Muralis passou a relacionar os resultados da escuta a questões importantes para sua evolução, utilizando os dados para identificar temas críticos e antecipar necessidades.
Segundo Andrea, “Na Muralis, os resultados do GPTW mostram que cultura não é um tema separado da estratégia. Confiança, colaboração, autonomia, liderança, desenvolvimento e bem-estar influenciam diretamente a qualidade das entregas, a retenção de talentos, a capacidade de inovação e a relação com os clientes.”
A pesquisa também contribui para a marca empregadora, especialmente em um mercado competitivo como o de tecnologia. Mas, para a Muralis, o reconhecimento externo é apenas uma parte do valor da parceria.
“A pesquisa também ajudou a Muralis a identificar temas críticos para sustentar o crescimento.”
É justamente essa possibilidade de identificar riscos e oportunidades que amplia o papel da escuta. Em vez de olhar apenas para indicadores finais, a empresa consegue acompanhar fatores relacionados à experiência das pessoas que podem influenciar engajamento, pertencimento, permanência e capacidade de crescimento.
O que significa ser uma empresa Great Place To Work
Ao longo da parceria, a Muralis passou por diferentes momentos: reconhecimento, crescimento, mudanças na percepção dos colaboradores, identificação de lacunas e revisão de prioridades. Essa trajetória também mudou a maneira como a empresa enxerga o próprio GPTW.
“A Muralis passou a olhar para o GPTW não apenas como uma certificação ou premiação, mas como um instrumento de diagnóstico.”
Esse talvez seja o principal aprendizado da jornada. Uma cultura forte não é algo que a empresa simplesmente conquista e mantém. Ela precisa ser acompanhada conforme o negócio, as pessoas e suas expectativas mudam.
Para a Muralis, os rankings e certificações são parte dessa história, mas não encerram o processo.
“Para nós, ser Great Place To Work não é apenas conquistar uma certificação ou estar em um ranking. É assumir o compromisso de ouvir as pessoas, reconhecer os pontos fortes, enfrentar as oportunidades de melhoria e construir, de forma contínua, um ambiente cada vez melhor para trabalhar.”
A experiência da Muralis mostra, assim, um efeito que vai além da certificação: a escuta estruturada ajuda o RH a transformar percepções em diagnósticos, os diagnósticos em prioridades e as prioridades em decisões de gestão.
E, quando essa escuta é contínua, a empresa consegue acompanhar a própria evolução — não apenas para saber se continua sendo um Great Place To Work, mas para entender o que precisa fazer para continuar sendo.
“Cultura não se preserva sozinha: ela precisa ser praticada, medida, questionada e desenvolvida todos os dias.”