Por: Editor GPTW

Por: Editor GPTW

5 dezembro, 2018 • 3:38

por Daniel Casseb

Você conhecia o Leandro? Não? Eu também não…

Porém, confesso a vocês que conheço outras centenas de “Leandros”. E você seguramente também.

Me permita contar quem era Leandro: migrante nordestino que veio a São Paulo para tentar uma oportunidade melhor, batalhar por algo mais digno e construir sua vida.

E aí, já lembrou de algum “Leandro”?

Leandro trabalhou por sete anos na mesma organização, tinha um comportamento tímido e reservado. Poucos pareciam conhecê-lo — e ele também não dava muitas oportunidades para que isso acontecesse.

Está ficando mais claro quem era o Leandro?

Pois bem, estamos falando de Leandro Santana dos Santos, 26 anos, funcionário de um badalado restaurante japonês em São Paulo e mais uma vítima do que identificamos como relacionamentos de baixo vínculo de confiança.

Segundo as testemunhas, Leandro teve um surto psicótico no final de um turno de trabalho, ameaçou colegas e clientes empunhando facas e, quando a polícia chegou e tentou negociar, ele (já completamente fora de si) também ameaçou contra a vida dos policiais. Leandro, então, foi alvejado duas vezes, após as tentativas de contê-lo com armas de uso não letal terem falhado.

Tem certeza que você não conhece o Leandro?

Todos os dias, em salas de treinamentos dentro das organizações ou mesmo em uma conversa despretensiosa com algum colaborador, eu conheço um novo “Leandro”. Pessoas submetidas a ambientes de pressão — e sem vínculos de confiança para serem elas mesmas — estão expostas a uma carga emocional tão forte que, no momento em que o desconforto já não pode mais ser abafado internamente, as consequências vêm à tona. E vem à tona de maneira tão forte e tão explosiva que, infelizmente, histórias com a de Leandro se materializam.

Agora, Leandro lhe parece mais familiar?

Sempre que tenho oportunidade, trago esse tipo de debate para dentro da sala de treinamento, pois acredito que líderes devem se posicionar, oferecer ajuda e parar para ouvir de forma sincera seus colaboradores. A história de Leandro parece muito distante da nossa realidade, até que um dia acontece.

Se você ainda não lembrou do Leandro, se olhe agora no espelho e responda: serei eu o “Leandro” ou estou tão cego que não consigo enxergá-lo?

Não podemos mais deixar que situações como essa aconteçam. Para muitos, quem falhou, quem deveria ter pedido ajuda, quem poderia ter feito algo, seria o próprio Leandro. Eu discordo. Acho que o papel do líder vai muito além de promover o reconhecimento quando a meta é batida ou cobrar quando esta não é alcançada. O papel de um gestor que zela pelos seus colaboradores inclui algo fundamental: ler o que não está explicitamente escrito.

Ano após ano vejo nos jornais situações críticas como a descrita acima e sempre me questiono sobre quantos sinais foram ignorados ou negligenciados. Além, claro, de todos os outros casos em que as pessoas, ao invés de explodirem, implodiram. Sucumbem ao burnout, a depressão, a crise de ansiedade e tantos outros distúrbios provocados por ambientes tóxicos e gestores ruins.

Se você é um gestor de pessoas e chegou até essa parte do meu texto, gostaria de pedir uma gentileza: dê uma oportunidade ao “Leandro”.

Ouça seus colaboradores com atenção. Ouça, no entanto, não para dar respostas, mas para conhecê-los verdadeiramente. Vamos garantir que, na próxima vez em que você lembrar do “Leandro”, seja para honrá-lo e não julgá-lo.

E, para você que não faz a menor ideia do que estou falando, segue a notícia do sushiman Leandro Santana dos Santos que foi morto após um aparente surto psicótico.

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3 Comentários

  • Postado por: Monica •

    Prezados, gostei muito da história do ”Leandro”, estou finalizando meu projeto de TCC, cujo as pesquisas evidenciam os impactos que a liderança tóxica desencadeia no ambiente corporativo e como afetam as pessoas sou aluna da Fatec, estamos estudando a possibilidade de apresentar o TCC como forma de palestra na empresa que trabalho.
    Por gostar muito do seu texto peço autorização para ler no início da apresentação, com certeza será de grande impacto para muitos líderes que estarão ali assistindo, muito obrigada pela atenção, espero de coração ter essa oportunidade de expor essa história como ponto de partida dessa palestra, da mesma forma que me fez refletir em minha posição de líder, quero muito que reflita nas mentes que ali estarão presentes.

    Parabéns

    • Postado por: GPTW •

      Fique à vontade para compartilhar, Monica. Só pedimos que você cite a fonte (o GPTW, no caso). Depois, nos conte como foi a apresentação! Bom TCC!

  • Postado por: Adriana Barbosa da Silva •

    Oi bom dia , eu sou Adriana mais sim sou o Leandro, não explodir a ponto do final de Leandro, mais sim já explodir sim por não saber como poderia mostrar ao meu líder a ser uma pessoa melhor .
    Irei tentar fazer um resumo rápido caso não esteja muito claro , deste já desculpas.
    Eu trabalhei muito tempo em uma empresa e por ter poucos recursos para estudar e desenvolver melhor o recurso de saber mostra ao próximo que ele poderia ser melhor falhei ,falhei porque eu explodir em um comportamento que mal desenvolvido por mim. Mais por ler muito um pouco de tudo mesmo buscando caminhos sem muito recursos. E por buscar mais por entender melhor o comportamento de lider. Encontrei Cauê Oliveira falou no TED xtalks, que não melhoramos nas empresas e não desenvolvemos por não ter uma oportunidade de um gilfwork ,E que sim para se trabalhar em uma empresa que evolua tem que ter sim um líder que seja sim operacional , mais que esse líder seja capaz de amar mais o ser humano e saber criar sim um ambiente de trabalho mais produtivo com ferramentas que desenvolva o melhor de cada um,para que juntos cheguem as suas metas mais que sejam mensuráveis . E que sim os lideres precisam ser tratado de seus fantasmas pessoais para serem melhor com eles e com seus colaboradores. E que não foi erro meu achar que meu desenvolvimento como colaborador foi falho aos olhos de quem liderava. Com o Cauê Oliveira aprendir que ser líder não estar em transformar o empresa só para o sócio maior e sim ser mais líder melhor pra si mesmo e saber transformar seus colaboradores em líderes admirável. Pra si mesmo ou para liderar os outros.

    Por isso, muito obrigada.

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