A discussão sobre a representatividade feminina no mercado de trabalho continua sendo essencial para empresas que desejam construir culturas sólidas, inovadoras e preparadas para um futuro mais competitivo. Mesmo que o debate seja antigo, o cenário atual demonstra que ainda existe um grande espaço para avanços significativos, especialmente quando observamos a presença de mulheres em posições de liderança e o comprometimento das organizações com políticas de inclusão.
A presença das mulheres nas empresas é uma pauta que atravessa diversos aspectos da sociedade, portanto ela influencia diretamente o desempenho dos negócios. Entender onde estamos e para onde as empresas precisam avançar é fundamental para líderes, profissionais de RH e tomadores de decisão.
A ausência das mulheres nas propagandas
Quando olhamos para as peças publicitárias, percebemos a ausência das mulheres. Afinal, onde estão as mulheres? Segundo o estudo TODXS, conduzido pela Heads Propaganda e apoiado pela ONU Mulheres, elas NÃO estão nas empresas.
É que 75% dos personagens que aparecem trabalhando em uma propaganda são — adivinhe! — homens. Quando eles aparecem nessa posição, aliás, são muito valorizados: os personagens masculinos têm 62% mais chances de serem mostrados como inteligentes nas campanhas publicitárias. Claro que existe também um espaço para elas: 3% das mulheres foram retratadas em posição de liderança ou com ambição. Três por cento.
O mesmo estudo analisou os estereótipos mais utilizados na publicidade brasileira para representar as mulheres. Eles estão relacionados com os seguintes termos: objetificação, padrão de beleza, profissões estereotipadas como femininas e especialista em cuidados da casa e da família. Diante disso, não é de se espantar com a conclusão do levantamento de que mais de 50% dos anúncios com mulheres contêm um estereótipo feminino ultrapassado.
O cenário atual da representatividade feminina na liderança
Os dados mais recentes do Relatório de Tendências em Gestão de Pessoas 2026, revelam que, em vez de avanços, estamos vivendo um momento de estagnação e até de retrocesso na presença de mulheres em posições de comando.
Em 2025, os homens ocupavam 79% das cadeiras de CEO no mercado nacional. Em 2026, esse número aumentou para 82,3%. Essa movimentação representa um distanciamento ainda maior da equidade de gênero em um dos postos mais estratégicos das organizações.
A liderança feminina é um dos principais indicadores de maturidade em diversidade de gênero nas empresas. Quando mulheres ocupam posições de alta liderança, o impacto é profundo e vai além da representatividade. Essas empresas tendem a apresentar maior equilíbrio nas demais estruturas de gestão, mais inovação e culturas organizacionais mais inclusivas e orientadas à confiança.
A queda nas políticas de inclusão e o impacto nas organizações
Entre 2023 e 2025, 69% das empresas afirmavam possuir iniciativas voltadas para mulheres. Em 2026, esse índice recuou para 55,3%, representando a maior queda desde 2022.
A diminuição do foco em diversidade e inclusão também aparece na definição de prioridades. No Relatório de Tendências, 10% das empresas elegeram DE&I como prioridade para 2025. Na edição desse ano, no Brasil, o número foi de 7,4% e, na América Latina, de 6,2%.
Desde 2024, muitas organizações encerraram suas áreas formais de Diversidade e Inclusão. Esse movimento não significa necessariamente o abandono do tema. Ele indica uma reorganização estratégica que demanda integração mais profunda de DE&I às práticas de gestão, à cultura organizacional e aos indicadores de negócio.
Há, porém, um ponto relevante. Empresas que mantêm áreas estruturadas de diversidade tendem a apresentar melhores resultados de clima e engajamento. Em 2025, 64% dessas empresas eram certificadas pelo GPTW. Em 2026, esse número subiu para 66%, o que reforça a conexão direta entre inclusão e ambientes de alta confiança.
Presença das mulheres nas 175 Melhores Empresas Para Trabalhar no Brasil em 2025
Ao analisar o recorte das Melhores Empresas Para Trabalhar, é possível compreender como a presença feminina se manifesta nos ambientes reconhecidos por excelência em cultura organizacional.
Distribuição de gênero na força de trabalho
Na edição mais recente, as mulheres ocupam 43% dos postos de trabalho nas 175 Melhores Empresas Para Trabalhar. Esse percentual está alinhado com a realidade nacional. Dados do IBGE mostram que as mulheres representam igualmente 43% da força de trabalho no Brasil.
Quando observamos a evolução histórica desde 2022, percebemos que a participação feminina variou de 35 a 43%. A variação demonstra que, embora haja avanços, ainda existe oscilação e falta de estabilidade no crescimento da participação das mulheres no mercado de trabalho.
Participação feminina na liderança das Melhores Empresas
A presença feminina em cargos de liderança apresenta desafios e avanços simultaneamente. Em 2025, as mulheres representam, em média, 32% dos cargos de liderança nessas organizações. O número supera o registrado em 2024, ano em que foi observado o menor índice histórico, com apenas 27%.
Mesmo com essa evolução, continua existindo uma diferença significativa entre a presença de mulheres na força de trabalho total e a presença delas na liderança. A distância de 9 pontos percentuais reforça a necessidade de estratégias mais estruturadas para apoiar o avanço de mulheres nas posições de gestão.
Um ponto positivo é que o crescimento ocorreu em todos os níveis avaliados. As mulheres ampliaram sua participação na alta liderança, que inclui posições de C-Level e diretoria, na média liderança, que contempla média gerência, e nas funções de supervisão e gestão operacional. Isso demonstra que, quando as organizações investem de forma contínua em cultura, confiança e desenvolvimento de carreira, os resultados começam a aparecer em diferentes camadas estruturais.
Por que a representatividade feminina é uma alavanca estratégica de negócio?
Promover diversidade de gênero não é apenas uma pauta social. É uma decisão de impacto direto na competitividade empresarial. Organizações com maior presença de mulheres em posições de liderança apresentam indicadores superiores em tomada de decisão, inovação, permanência de talentos e construção de culturas de alta performance.
A representatividade feminina influencia:
- a qualidade da governança corporativa;
- a capacidade de antecipar riscos e oportunidade;
- a geração de soluções mais criativas;
- a atração de profissionais qualificados;
- a reputação e a marca empregadora.
Mulheres em posições estratégicas ampliam o repertório organizacional e fortalecem a cultura de confiança, fator que sustenta desempenho sustentável ao longo do tempo.
O papel da cultura organizacional no avanço da equidade de gênero
Cultura não é apenas o que está no discurso. Ela é construída diariamente por comportamentos, símbolos, incentivos e decisões. Quando as empresas reduzem investimentos em diversidade, o ambiente tende a se tornar menos inclusivo. Consequentemente, a experiência das mulheres no trabalho é afetada e a representatividade na liderança se desenvolve mais lentamente.
Para avançar de forma consistente, é essencial conectar diversidade de gênero à gestão de pessoas e às prioridades estratégicas da organização. A cultura de confiança é a base para que as mulheres tenham espaço, voz e oportunidades reais de crescimento.
Como as empresas podem avançar a partir de agora
As organizações que desejam fortalecer a representatividade feminina no mercado de trabalho podem iniciar por cinco pilares essenciais.
- Reafirmar o compromisso institucional com a equidade de gênero
Mesmo em cenários desafiadores, é importante manter a pauta ativa e incorporada à estratégia.
- Integrar diversidade de gênero aos resultados de negócio
DE&I precisa dialogar com metas, indicadores e práticas de gestão.
- Incentivar o desenvolvimento de lideranças femininas
Mentoria, patrocínio e sucessão estratégica são ferramentas fundamentais.
- Promover ambientes psicologicamente seguros
A confiança é o que sustenta engajamento, inovação e pertencimento.
- Garantir representatividade nos espaços de tomada de decisão
A presença de mulheres na alta liderança transforma toda a estrutura organizacional.
O desafio não é apenas identificar onde as mulheres estão hoje. O desafio é decidir, de forma consciente e estratégica, onde elas podem e devem estar no futuro.
E esse movimento começa agora, nas decisões de cada liderança, em cada empresa e em cada cultura organizacional.
A sua empresa pode impactar a representatividade feminina no mercado de trabalho, invista em ações e práticas de diversidade e inclusão. No dia 08 de março, dia internacional da Mulher, reforce a importância da equidade de gênero em todos os espaços.
Para aprender mais e incentivar ações de equidade de gênero dentro da sua organização, conheça nossos programas.

2 Comentários
Parabéns pelo texto e vídeo!
Acredito que a mulher ainda tem que lutar pelos seus direitos e pelo seu valor na sociedade.
Linda homenagem!
Adoro ser mulher!
Incrível!!!
Estou chocada com o poder desse texto, nos vamos conseguir !
As mulheres sempre vai ir a luta para não sermos mais subjulgadas e estereotipadas por pessoas que não entendendo nossa luta.