Por: Anna Oliveira

Por: Anna Oliveira

6 março, 2020 • 2:58

Muitas pessoas já estão cansadas de escutar essa história da presença da mulher no mercado de trabalho. Estão cansadas de ver estatísticas que mostram que a cadeira da liderança ainda é ocupada majoritariamente pelos homens. Cansadas do discurso que questiona a posição na qual as mulheres são colocadas. Mesmo diante de tanto cansaço, o cenário se repete com energia: sim, falta representatividade feminina em posições de comando e em determinados setores econômicos. Mas falta representatividade não só nesses lugares.

Quando olhamos para as peças publicitárias, percebemos esse mesmo problema. Afinal, onde estão as mulheres? Segundo o estudo TODXS, conduzido pela Heads Propaganda e apoiado pela ONU Mulheres, elas NÃO estão nas empresas. É que 75% dos personagens que aparecem trabalhando em uma propaganda são — adivinhe! — homens. Quando eles aparecem nessa posição, aliás, são muito valorizados: os personagens masculinos têm 62% mais chances de serem mostrados como inteligentes nas campanhas publicitárias. Claro que existe também um espaço para elas: 3% das mulheres foram retratadas em posição de liderança ou com ambição. Três por cento.

O mesmo estudo analisou os estereótipos mais utilizados na publicidade brasileira para representar as mulheres. Eles estão relacionados com os seguintes termos: objetificação, padrão de beleza, profissões estereotipadas como femininas e especialista em cuidados da casa e da família. Diante disso, não é de se espantar com a conclusão do levantamento de que mais de 50% dos anúncios com mulheres contêm um estereótipo feminino ultrapassado.

Só que o que isso tem a ver com o mercado de trabalho? Tudo, uma vez que a forma como as mulheres são representadas é não só um reflexo da realidade, mas um reforço. É a arte imitando a vida, mas também a vida imitando a arte.

Quando a publicidade, o filme, a série, o livro, enfim, diferentes plataformas não retratam a mulher em uma posição de liderança porque normalmente elas não ocupam esse cargo, essas mesmas plataformas estão reforçando esse lugar — ou, melhor, esse “não lugar”. Ver várias e várias e várias vezes homens de terno e gravata tomando as decisões e comandando as empresas reforça esse inconsciente coletivo de que o lugar do homem é na liderança. Aquela ideia de que ele é naturalmente líder e ela, cuidadora, sensível, delicada e todos os outros “adjetivos femininos”.

Desconstruir essa imagem e esse imaginário é fundamental para mudar a realidade e, principalmente no caso das empresas, é importante que esse exemplo comece de cima. Olhando para As 150 Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, percebemos que aquelas que têm uma mulher no cargo de CEO automaticamente apresentam um quadro de alta  liderança com maior equidade de gênero. Abaixo, alguns exemplos de organizações do ranking do GPTW cuja presidência é ocupada por uma mulher e que, por consequência, exibe uma alta liderança com maior representatividade feminina:

  • Sabin Medicina Diagnóstica: 43% de mulheres na alta liderança
  • Microsoft: 46% de mulheres na alta liderança
  • ThoughtWorks: 50% de mulheres na alta liderança
  • SC Johnson: 80% de mulheres na alta liderança

Na última edição publicada, 10% das melhores empresas para trabalhar tinham uma executiva com o título de CEO — a expectativa é que essa porcentagem suba neste e nos próximos anos. Considerando os cargos de liderança de forma geral nas 150 melhores empresas, felizmente, os índices são bem maiores (40%) e analisando todo o headcount, também (46%).

CEO - Dia Internacional da Mulher

Lider - Dia Internacional da Mulher - Dados

Total - Dia Internacional da Mulher

Então, no mês em que elas são lembradas por conta do 8 de março (o Dia Internacional da Mulher) é importante entender como as mulheres são representadas e refletir sobre como elas deveriam ser. Onde elas estão? Em quais papéis foram colocadas? Como ainda são representadas? Porque a arte imita a vida, a vida imita a arte e a verdade é que as cores, os traços e o estilo desse quadro ainda precisam mudar.

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1 comentário

  • Postado por: Viviane Gloeden •

    Parabéns pelo texto e vídeo!
    Acredito que a mulher ainda tem que lutar pelos seus direitos e pelo seu valor na sociedade.
    Linda homenagem!
    Adoro ser mulher!

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