Por: Casimiro Perez

Por: Casimiro Perez

17 agosto, 2018 • 9:47

De um ano para cá, se você segue o GPTW, você deve ter ouvido alguma vez falar sobre “Great Place to Work FOR ALL”. Se você está chegando agora ou não entende bem o que esse conceito quer dizer, vamos explicar: um Great Place to Work For All é uma organização na qual qualquer pessoa, seja ela quem for – ou seja, independente de gênero, idade, raça, orientação sexual, cargo, área, tempo de casa – tenha uma experiência positiva do ambiente de trabalho. Ou seja, o ambiente de trabalho e a cultura da empresa é excelente para todos (e excelente no mesmo nível).

Quando falamos de “For All”, estamos falando sobre Diversidade. E uma das maneiras mais simples de falar sobre diversidade na pesquisa GPTW são quatro afirmativas que estão na nossa pesquisa de clima:

  • As pessoas são respeitadas não importando a idade
  • As pessoas são respeitadas não importando a cor ou raça
  • As pessoas são respeitadas não importando o gênero
  • As pessoas são respeitadas não importando a orientação sexual

E é exatamente sobre essas afirmativas que vamos falar hoje. Temos duas notícias para contar. A primeira é que os resultados da sua empresa (muito provavelmente) não são tão bons quanto você pode pensar. A segunda é que essas afirmativas, observadas sem contexto, não são um diagnóstico sobre a percepção da diversidade pelos funcionários.

  1. Os números que parecem bons podem não ser tão bons assim

Para começar a discussão, precisamos pensar um pouquinho sobre o que os números na nossa pesquisa significam. Não são apenas números, ou uma nota. Estamos falando de pessoas quando olhamos o resultado da nossa pesquisa de clima. Portanto, vamos pensar na afirmativa “As pessoas são respeitadas não importando a idade”, como um exemplo. E vamos fazer de conta que a nota da nossa empresa nessa afirmativa é de 95. Numa escala de 1 a 100, parece muito bom, não?

Pois é, mas só parece. Esse número quer dizer que 5% da população em nossa empresa acredita que há algum problema no tratamento das pessoas por conta de seu gênero. Na pior das hipóteses esse problema pode ser inclusive um caso de sexismo. E quantas pessoas esse 5% representa? Se temos 1.000 funcionários, são 50 pessoas. Se somos 100.000, são 5.000 sofrendo com esse problema. 95 não parece um número tão bom agora, não é mesmo?

Outra coisa, se sua média na pesquisa como um todo está por volta dos 70, e essas afirmativas acima dos 90, esse não é um ponto forte da sua empresa. Historicamente, vemos que essas afirmativas possuem notas muito acima das outras naturalmente. Existem vários fatores que levam a isso como, por exemplo: a relutância ou vergonha em se admitir vítima de um preconceito, o medo de ser identificado (embora nossa pesquisa seja confidencial) é uma realidade, e o fato de que essas são perguntas direcionadas a um grupo, mas que são respondidas por todos (veja mais sobre esse ponto adiante).

Para mostrar este ponto na prática, conduzimos um estudo. Escolhemos aleatoriamente 44 empresas, de diversos setores e tamanhos que fizeram pesquisa conosco nos últimos 12 meses. Separamos essas empresas por sua média de Trust Index (TI) – 8 a 10 empresas por grupo, formando os seguintes grupos:

  • Empresas com nota final de TI inferior a 59
  • Empresas com nota final de TI entre 60 e 69
  • Empresas com nota final de TI entre 70 e 79
  • Empresas com nota final de TI entre 80 e 89
  • Empresas com nota final de TI acima de 90

Comparamos a nota final de TI com a nota das afirmativas de diversidade citadas anteriormente, e tiramos a média para cada grupo. O que encontramos foi o seguinte:

Veja, que mesmo entre as empresas com os piores resultados em nossa pesquisa, a média das perguntas de diversidade é de 85 – e a menor entre todas elas, separadamente, é de 77. O que, se vemos sem pensar, parece ser bom, mas 77 ou 85 nessas afirmativas é um resultado péssimo.

Trocando em miúdos, o que queremos dizer é que: For all é FOR ALL. Enquanto houver um sentimento de inequidade na organização, o trabalho ainda não acabou.  Este é um trabalho contínuo, que não tem fim. Todas as empresas sempre terão algo que pode ser melhorado.

  1. Parte vs. Todo

Vamos considerar o 95 do exemplo anterior. E se nossa empresa tivesse 95 homens e 5 mulheres? Aí teríamos um baita problemão, não é mesmo? É claro que este é o mais extremo dos exemplos, mas será que isso acontece em algum nível nas empresas? Vamos descobrir?

Continuando com as mesmas empresas do estudo anterior, realizamos um novo estudo. Para esse experimento, separamos as empresas que têm uma nota 90 ou superior em alguma das pesquisas de diversidade. Então comparamos esse número com o maior gap entre as respostas de cada grupo para aquela mesma pergunta (ou seja, para a pergunta “As pessoas são respeitadas não importando a orientação sexual”, comparamos a maior e menor notas entre as diferentes orientações sexuais que estão definidas como resposta nas pesquisas). Separamos todos os casos em que encontramos um gap maior que 10 pontos (o que já é um abismo para uma afirmativa delicada como essa).

Dessas, 9 empresas não possuíam todas as demografias em sua pesquisa, e outras 7 não possuíam uma nota superior a 90 em nenhuma das 4 afirmativas, sobrando 28 elegíveis.

18 das 28 empresas apresentaram o gap maior que 10 pontos em alguma das afirmativas. Impressionantes (e infelizes) 64%. E pelo menos 3 empresas foram encontradas em cada grupo, o que mostra que esse é um problema comum em empresas, não importando a nota final da pesquisa. Se subirmos a régua para 95 ou mais, ainda vemos o gap em 11 das 28 empresas (39%), distribuídos novamente em cada grupo.

  1. E agora?

Desde o início, quando comunicamos o mercado sobre o For All, o GPTW está em um processo de mudança da metodologia. A consistência entre as demografias (uma das marcas de uma organização For All) terá o poder de aumentar ou diminuir a nota final da pesquisa de uma empresa. Contudo, estamos realizando diversos estudos em nível global (que devem ser repetidos para ajustes em nível local) para que nossa metodologia seja cada vez mais justa para organizações em todo o mundo.

Mas mesmo se tivéssemos essas mudanças, existem pontos importantes que você deve levar em consideração em relação à pesquisa GPTW e as afirmativas de diversidade (e o trabalho da empresa como um todo neste tema):

  • For All é FOR ALL! Não se contente com menos que isso. Trabalhe sempre para criar um ambiente equilibrado para todos.
  • Não olhe os resultados fora de contexto. Não esqueça que os resultados da pesquisa GPTW representa dezenas, centenas, milhares de pessoas.
  • Analise os gaps entre as demografias e, naquelas afirmativas cuja resposta de grupos específicos seria interessante, analise a resposta desses grupos. Não permita que grupos subrepresentados em sua organização percam suas vozes e seu pleno potencial de desempenho.

Trabalhe genuinamente em prol das pessoas – e de todas as pessoas – e sua organização também poderá ser um Great Place to Work For All!

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