A presença de mulheres na liderança das empresas premiadas nos Rankings Setoriais do Great Place To Work Brasil® evoluiu de forma desigual nos últimos quatro anos (2022 – 2025). A seguir, apresentamos uma síntese baseada integralmente nos dados levantados pela equipe de Pesquisa do GPTW Brasil, analisando movimentos, avanços e desafios na jornada feminina rumo às posições de liderança.
Os gráficos que acompanham este artigo ajudarão a visualizar tendências, diferenças setoriais e pontos de atenção estratégicos.
Panorama geral: onde as mulheres estão
As empresas premiadas no setor de Saúde em 2025 têm a maior participação feminina, com 63% de mulheres no quadro geral. Na outra ponta, o Agronegócio mantém a menor representatividade feminina (23%).
Participação feminina no quadro geral (2025):
- Saúde – 63%
- Instituições Financeiras – 54%
- Varejo – 53%
- TI – 39%
- Indústria – 31%
- Agronegócio – 23%
Ao observar a tendência 2022–2025, destaca-se um único setor com queda consistente: Tecnologia da Informação, que passou de 43% para 39%. Esse movimento é especialmente relevante porque a TI reúne o maior número de empresas premiadas, o que reforça a precisão da tendência observada. Os demais oscilaram pouco ou cresceram ligeiramente.
- Agronegócio: baixa estrutural (21–23%), sem grandes oscilações;
- Saúde: crescimento leve e consistente até 63%;
- Varejo: estabilidade em patamar elevado (53%);
- Instituições Financeiras: variações moderadas, fechando 2025 em 54%;
- Indústria: avanço contínuo, de 27% para 31%;
- TI: queda relevante (-4 p.p.), sinalizando um alerta.



Confira o número de empresas premiadas por Ranking Setorial e Ano:

Liderança: como está a presença feminina no topo
Alta liderança (C-level e equivalentes)
Não há discrepância significativa entre os setores quando analisamos a presença de mulheres na alta liderança em 2025. O Varejo é o setor com maior presença no topo (28%), mas a Indústria, setor com menor índice, registrou uma diferença de apenas 4 p.p.
Saúde, Instituições Financeiras e Varejo são os setores com maior presença feminina no quadro geral, contudo, isso não significa uma conversão muito maior para os cargos mais elevados.
Saúde teve um crescimento significativo em 2023, chegando a 38% de mulheres na alta liderança. No entanto, agora o índice é de apenas 26%. Instituições Financeiras teve uma queda acentuada, passando de 48% em 2022 para 27% em 2025.
Já a Indústria sofreu queda de 2024 a 2025, e chegou ao menor índice no período analisado (21%). No Agronegócio, houve um avanço considerável: de 14% de representatividade em 2022, agora registra um índice de 24% (+10 p.p.) de mulheres na alta liderança.
Média liderança (gerências e diretorias médias)
O equilíbrio aparece com mais força na camada intermediária:
- Saúde – 46% (maior participação)
- Varejo – 43%
- Instituições Financeiras – 40%
- TI – 37%
- Indústria – 31%
- Agronegócio – 27%
O maior crescimento no período foi novamente da TI, que saltou de 13% para 37% (+24 p.p.): sinal de um funil intermediário mais forte, apesar da perda no quadro geral.
Varejo e Instituições Financeiras recuaram 5 p.p. cada nesse período, o que merece investigação interna sobre fatores que podem estar desacelerando o avanço feminino.
Outras posições de liderança
Essas funções podem funcionar como um “pré-funil” para gerências.
Em 2025:
- Saúde (61%) e Varejo (49%) lideram.
- Indústria (28%) e Agronegócio (21%) têm os menores números.
Tecnologia da Informação teve uma queda de 9 p.p. de 2022 a 2025. Já o setor de Saúde sofreu oscilações ao longo dos anos, com baixa de 32% em 2024, recuperando um alto índice (61%) de presença feminina em outras posições de liderança em 2025.






CEOs: mulheres na liderança máxima ainda é exceção
O setor mais avançado novamente é Saúde, com 19% de CEOs mulheres e crescimento contínuo. O Agronegócio tem a menor taxa, com 9%, apesar de ter superado os 4% do ano anterior.
O cenário reflete a presença feminina na organização de modo geral: Saúde com mais mulheres no quadro, enquanto Agronegócio segue um setor majoritariamente masculino.
Nos demais setores:
- TI: crescimento expressivo, de 7% (2022) para 16% (2025).
- Instituições Financeiras: instabilidade, fechando 2025 em 12%, maior índice registrado.
- Indústria: recuperação dos 12% de 2022 após leve queda em 2023 e 2024.
- Varejo: presença de 15% nos últimos três anos.

O que esses dados significam para líderes e organizações
Segundo Daniela Diniz, Chief Communications Officer do GPTW Brasil: “A ascensão de mulheres à liderança está diretamente ligada à cultura organizacional. Empresas que promovem flexibilidade, ampliam licenças parentais e envolvem lideranças masculinas nas discussões de gênero criam um ambiente mais favorável para que elas avancem na carreira. Embora alguns setores apresentem crescimento na alta liderança, a baixa representatividade feminina no quadro geral ainda revela um desafio estrutural: é preciso ampliar o acesso e garantir a permanência desde a base para formar um pipeline consistente de lideranças”.
As Melhores Empresas Para Trabalhar costumam se destacar por práticas estruturadas voltadas à equidade e à ascensão de mulheres em cargos de liderança. Em organizações mais maduras, o tema não é trabalhado apenas pontualmente e em uma agenda reputacional, mas passa a integrar a estratégia do negócio.
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