Por: Isabel Weiss psicoterapeuta cognitiva pela USP, PhD em Ciências pela Unifesp e instrutora de Mindfulness pela UCLA

Por: Isabel Weiss psicoterapeuta cognitiva pela USP, PhD em Ciências pela Unifesp e instrutora de Mindfulness pela UCLA

10 maio, 2021 • 10:50

No artigo passado, falamos sobre a importância da mudança de mentalidade em relação a saúde mental para, então, avançarmos nessa pauta. Saúde mental, vale dizer, não é modismo; não é assunto de uma palestra ou de um programa de RH isolado e que nunca mais será realizado na empresa. Cuidar da saúde mental deve ser uma constante e, para isso acontecer, é necessário compreender melhor o tema e, consequentemente, mudar a percepção como indivíduo, profissional, líder e empresa.

Para tornar esse assunto mais palpável, compartilho algumas dicas e orientações que podem ajudar na hora de sair da teoria e partir para a prática dentro da sua empresa. São comentários embasados na minha experiência como psicóloga e especialista em Terapias Cognitivas e Mindfulness, com atuação clínica e dentro de empresas.

Levando tudo isso em consideração, as duas primeiras dicas que posso dar são:

  • Invista na identificação precoce de colaboradores que apresentam ou parecem estar desenvolvendo problemas emocionais para não agravar o quadro. Essa sensibilidade e cuidado de identificar é ainda mais urgente em momentos de crise, como o atual, pois o cenário se mostra muito propício para manifestações na saúde mental.
  • Faça o mapeamento da saúde dos colaboradores com a ajuda de uma equipe de profissionais especializados. Da mesma forma que a dica anterior, o objetivo é trabalhar de maneira preventiva, identificando o quanto antes questões de estresse, ansiedade, depressão, burnout e outros.

Tais recomendações, contudo, devem vir acompanhadas a todo momento de outra dica. Preste atenção nesse item abaixo porque ele é fundamental para criar um terreno propício para a condução de todo e qualquer programa voltado para saúde mental:

  • Afaste o estigma que recai sobre este tema! Isso quer dizer que, antes de iniciar um mapeamento ou convidar as pessoas a participarem de um ou outro programa de saúde mental, é importante passar a mensagem de que não se trata de uma “caça às bruxas”. Os colaboradores devem sentir segurança de que essas ações são, de fato, em prol deles e não uma forma de encontrar o “funcionário-problema”. Por isso, falamos de quão fundamental é mudar a mentalidade sobre o assunto, incorporá-lo à cultura organizacional e, assim, afastar eventuais receios como o da demissão.

Ainda pensando nessa etapa de preparar o terreno, vale também voltar a atenção para um grupo específico dentro da empresa – e não estou me referindo àqueles que apresentam os sintomas de complicações na saúde mental. Se trata dos líderes!

  • Realize treinamentos voltados para a liderança, afinal é importante que esse grupo esteja engajado na construção de um clima organizacional favorável ao cuidado com a saúde. Esse tipo de treinamento envolve ações que visam a promoção do autoconhecimento, da identificação dos próprios limites (confira aqui um depoimento de um líder do GPTW sobre a vulnerabilidade na liderança), do reconhecimento das suas potencialidades; tudo isso formando um círculo virtuoso de cuidado e compaixão, orientado à produção com equilíbrio e empatia.

Justamente por entender o valor de olhar para a liderança e trabalhar essa temática junto a ela, o Great Place to Work incluiu algumas questões na última edição da pesquisa de Tendências sobre Gestão de Pessoas sobre saúde mental de acordo com a visão dos gestores. Dos 355 respondentes que ocupam a alta liderança, 71% consideram a questão da saúde mental do trabalhador um ponto relevante para a gestão de pessoas na empresa, apontando ainda que a liderança é fundamental no rastreio e na promoção de saúde mental de suas equipes. Felizmente, a maioria compartilha dessa opinião, porém vale notar que existe uma parcela (21%) que acha que bastam programas de rastreio de sintomas e promoção de saúde mental, sem o envolvimento da liderança e aqueles (7%) que acreditam que a questão da saúde é individual e que deve ser resolvida de modo particular, sem envolvimento de recursos ou programas da empresa.

Para transformar esse cenário, são importantes as ações citadas acima, mas vale também ficar de olho nestas dicas:

  • Criar ações coletivas, como rodas de conversa orientadas por psicólogos e lives com especialistas, a fim de auxiliar na disseminação do programa e na desmistificação e desestigmatização do tema;
  • Possibilitar o acesso à equipe de atendimento em plataformas online para aqueles que concordarem em receber ajuda (médicos em telemedicina, psicólogos e assistentes sociais em atendimentos online), com garantia de sigilo absoluto;
  • Adotar programas de treinamento em meditação baseada em Mindfulness, devidamente adaptados à realidade de cada organização, pois, uma vez baseados em evidências científicas, permitem o desenvolvimento da atenção, foco, diminuição do estresse, sintomas de ansiedade, depressão e burnout.

Não é uma receita de bolo, nem uma fórmula mágica. O tema da saúde mental requer um olhar atento, cuidadoso e responsável, entendendo que essa jornada de transformação requer tempo e paciência. Aos poucos, vamos mudando a realidade atual!

Confira mais conteúdos de Isabel Weiss sobre saúde mental:

Uma jornada rumo à mudança de mentalidade sobre saúde mental
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Reflexões sobre a necessidade de conexão humana no isolamento social
Como planejar a volta ao trabalho presencial após a quarentena
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