Por: Bruna Hess Prisco

Marketing & Produto na Jungle - empresa do Ecossistema GPTW

Por: Bruna Hess Prisco

Marketing & Produto na Jungle - empresa do Ecossistema GPTW

24 junho, 2022 • 11:32

Vamos começar com uma história. 

No final dos anos 90, a pesquisadora Amy Edmondson decidiu tentar entender a relação entre falhas médicas e times de trabalho em um hospital americano. Sua hipótese inicial era que quanto melhor o time, menos erros são cometidos. Entretanto, o que ela encontrou foi que os times mais coesos, ou seja, os times mais alinhados internamente, eram os que cometiam o maior número de erros. 

Analisando esse resultado de forma mais profunda, Amy chegou a conclusão que os times mais coesos não cometem mais erros, mas sim estão mais dispostos a falar sobre esses erros. Esse achado se transformou em um artigo científico publicado em 1999, que introduziu o termo “segurança psicológica” no mundo do trabalho (psychological safety em inglês).

Desde então, esse conceito foi explorado por diversos estudiosos e sua influência no sucesso das organizações, principalmente quando falamos de inovação, está sendo cada vez mais clara. Além da sua relação com produtividade, a segurança psicológica também está intimamente ligada a relações interpessoais e confiança dentro das organizações.

Afinal, o que é e o que não é segurança psicológica?

Primeiramente, vamos entender o que não é segurança psicológica. Não é um senso de conforto, não representa a ideia de que tudo vai ser ótimo e não é sobre ser legal com todos.

Bom, mas do que trata então segurança psicológica? É a criação e desenvolvimento de um ambiente de trabalho pautado pela sinceridade e honestidade. É um ambiente no qual não tem problema errar, ou pedir ajuda quando necessário, tornando o processo de encarar riscos e enfrentar desafios mais atrativos para todos os colaboradores. Ademais, é um ambiente onde todos podem ser quem são, sem receio de julgamentos.

Por onde podemos começar a desenvolver um ambiente psicologicamente seguro?

Essa estratégia deve contemplar dois âmbitos principais: estrutural e comportamental. O âmbito estrutural diz respeito à organização de momentos formais para análise de projetos e conversas entre os times, sessões que são planejadas para o compartilhamento de feedbacks. Enquanto isso, o comportamental traz a importância da liderança estar à frente desse movimento, compartilhando seus próprios erros e suas vulnerabilidades. 

Segundo Amy Edmondson e Mark Mortensen, com a pandemia, e agora com o aumento do trabalho híbrido, os limites entre vida pessoal e profissional estão menos claros e as estratégias também devem ser adaptadas a esse novo contexto.

Tópicos como cuidado com a família, desafios enfrentados nas vidas pessoais estão cada vez mais comuns no âmbito profissional e influenciam diretamente a estrutura e cronograma de uma forma de trabalho híbrida. Assim, existem 5 passos fundamentais para a criação desse ambiente seguro psicologicamente tanto para o acompanhamento e sucesso da estratégia como para o sucesso da organização como um todo.

Passo 1: Prepare o terreno

O primeiro passo é representado por um momento de conversa, um dos pilares da segurança psicológica. O objetivo é reconhecer os desafios tanto do grupo quanto dos indivíduos, assim a construção do ambiente se dá através do engajamento de todos e não apenas da imposição da liderança.

Trazer os benefícios de errar e de analisar o processo que levou a esse erro é essencial nesse momento.

De forma conjunta, como time, podem ser definidas diretrizes para uma boa convivência, sempre pautadas na abertura e transparência de todos. Trabalhando de forma colaborativa. A responsabilidade do sucesso é de todos. 

Passo 2: Lidere o caminho

Apesar da construção conjunta do passo 1, as lideranças são os exemplos seguidos pelos colaboradores. Uma liderança que não pratica a honestidade ou não demonstra que também comete erros, influencia negativamente a forma como as pessoas lideradas se comportarão. 

A exposição da própria vulnerabilidade, por exemplo, serve como uma forma de permissão para os liderados. Nos dias de hoje, considerando os desafios do trabalho híbrido, uma boa forma de demonstrar essa abertura é trazer para as discussões de 1-1 ou do time os desafios que se está lidando com essas mudanças na organização da vida pessoal e profissional. Para recebermos sinceridade, precisamos estar dispostos a sermos sinceros também.  

Passo 3: Celebre os pequenos avanços 

Não é do dia para a noite que todos vão se sentir confortáveis e seguros de exporem seus desafios, erros e vulnerabilidades. A confiança, assim como em qualquer relacionamento, é construída de pouco em pouco. O acolhimento de qualquer forma de compartilhamento é essencial para a construção dessa confiança.

Assim como os colaboradores estão passando por esse momento de mudança, é importante as lideranças não desanimarem caso leve um tempo para todos demonstrarem sua própria vulnerabilidade. Dessa forma, celebrar as pequenas vitórias e, acima de tudo, as valorizar como grandes pequenos passos em busca de uma cultura mais segura psicologicamente é fundamental. 

Passo 4: Compartilhe exemplos positivos

Como esses esforços estão impactando a equipe? Lideranças podem perceber esse impacto e, inclusive, relacionar diretamente soluções ao compartilhamento de erros e vulnerabilidades, entretanto, tanto quanto celebrar as pequenas vitórias individualmente, a exposição desses resultados também influencia o engajamento e abertura de todos no time.

Não estamos falando de compartilhar informações individuais, mas sim de abordar como essa nova forma de lidar com erros e desafios impulsionou a criação de soluções colaborativas. Nesse momento, a liderança exerce o papel de promotor da estratégia, trazendo à tona todos os impactos positivos já obtidos. 

Passo 5: Promova a segurança psicológica continuamente

A manutenção de um ambiente seguro psicologicamente é tão importante quanto a construção do mesmo. Quando falamos de criar confiança em relações pessoais, sabemos o quão difícil é, e também sabemos o quão fácil é perder essa confiança, tão arduamente conquistada.

Tratando-se de segurança psicológica, temos essa mesma situação. Dessa forma, sua constante promoção, e revisitação dos passos acima descritos, é tão essencial quanto o investimento no seu desenvolvimento inicial.

E já que estamos falando de construção de ambientes de trabalho mais saudáveis emocionalmente, não deixe de ler também nosso infográfico sobre burnout, doença classificada em 2022 como ocupacional — ou seja, responsabilidade das empresas —, e entenda como implementar ações para prevenir e endereçar o tema adequadamente.

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