Por: Admin

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14 abril, 2022 • 10:40

A diversidade cognitiva é uma forma de navegar pelos cenários complexos, voláteis, mutáveis e ambíguos em que vivemos. Por meio dela, temos um capital humano que integra diferentes visões de mundo, culturas, experiências e conhecimentos, com alta adaptabilidade e capacidade de resolver problemas.

Em um contexto mais abrangente, a diversidade está ganhando mais espaço entre as organizações, embora ainda seja um desafio para muitas delas. E não é por acaso que, junto à importância social de reduzir desigualdades, o tema está relacionado ao potencial de inovação e produtividade das organizações.

Para entender como construir vantagens competitivas a partir da diversidade cognitiva, continue a leitura deste conteúdo. A seguir, preparamos um guia completo para você conseguir aplicar o conceito na sua empresa!

O que é diversidade cognitiva?

A diversidade cognitiva é a situação de pluralidade de ideias e opiniões, vindas de pessoas com personalidades diferentes. Portanto, floresce em ambientes em que se concede respeito e representatividade a diferentes formas de pensar.

Nesse sentido, as organizações que contam com essa característica no capital humano são locais de diálogo e debate saudável entre pessoas. Esses debates podem acontecer tanto em relação às questões internas como aos problemas sociais.

Um exemplo são as empresas que formam grupos de discussão para discutir desigualdades entre homens e mulheres, preconceito étnico e racismo. Perceba que, mesmo que o foco das discussões seja a melhoria das práticas internas, indiretamente a organização estará mais aberta a questões relevantes para sociedade.

Benefícios da diversidade cognitiva

A diversidade cognitiva traz atributos relevantes para o capital humano da empresa. Conhecimentos, habilidades, atitudes e julgamentos serão mais variados, e a organização terá mais ferramentas para alcançar os objetivos de negócios.

Ser adaptável aos diferentes cenários

Entre as vantagens, a empresa consegue se adaptar mais facilmente ao ambiente de negócios. Para ilustrar, considere um feedback dos clientes que revela a insatisfação com as soluções atuais, por exemplo, uma entrega que não está de acordo com as expectativas esperadas.

As chances de ter alguém nos quadros que enxerga a situação do ponto de vista do contratante são maiores com a diversidade cognitiva. Igualmente, outros tantos colaboradores terão uma opinião diferente sobre como fazer as coisas. E um terceiro grupo já terá enfrentado um problema similar em outra organização.

Resumidamente, sem pessoas que, diante das mesmas informações sobre o cenário, veem a situação sob outro ângulo e sugerem algo diferente, teremos sérias dificuldades para mudar e adaptar a empresa ao momento.

Aumentar o potencial de inovação

O ambiente de respeito e consideração por todos também gera menos barreiras aos movimentos de inovação. É um local em que as pessoas podem colocar suas opiniões e sugestões, sabendo que serão ouvidas de maneira sincera.

Nesse sentido, não basta incluir pessoas diferentes nos quadros sem criar um bom ambiente de trabalho. Se, mesmo com ideias novas, as pessoas são inibidas por seus gestores, colegas ou, por si mesmo, diante da fala de propósito, a empresa terá mais dificuldades para ser inovadora.

A diversidade cognitiva depende dessa dimensão de respeito, consideração e valorização das diferentes perspectivas no dia a dia.

Contar com equipes mais criativas e produtivas

Por meio da diversidade cognitiva, a empresa consegue remover limitações de recursos, processos, produtos e serviços por meio da criatividade. Com isso, temos equipes que são mais capazes de trazer soluções fora da caixa e melhorar a produtividade na empresa.

Uma das justificativas é a sinergia entre a diversidade cognitiva e a criatividade, que trará diversas contribuições:

  • fazer perguntas que não seriam feitas;
  • compartilhar diferentes pontos de vista sobre situações e complicações;
  • enriquecer o brainstorming com ideias das mais variáveis;
  • usar diferentes critérios para avaliar as propostas para resolver o problema;
  • ter pessoas parecidas com os destinatários da solução.

Embora possa ser encarada como um valor organizacional, a diversidade cognitiva também conta com uma dimensão prática. E, como visto, ela produz uma série de ações que contribuem para o sucesso do processo criativo.

Quais são os desafios para implementar a diversidade cognitiva?

Nem sempre é fácil promover essa pluralidade. A cultura da empresa, os grupos formados, as lideranças e outros elementos exigem, muitas vezes, que os colaboradores “se enquadrem”, em vez de valorizarem as diferenças.

Convergência de grupo

A própria equipe pode sofrer com excesso de convergência: as opiniões individuais se tornam mais parecidas com a opinião do grupo. Assim, quando essa convergência é forte, aquele que vai de encontro às normas estabelecidas é discriminado pelos demais.

Resistência a mudanças

Em muitos casos, a empresa já tem um modo de fazer as coisas, que é confortável para os colaboradores e líderes, ainda que não realize todo o potencial da organização. Implementar a diversidade cognitiva exige um processo paulatino de sensibilização, mudança, reforço de comportamentos, que pode encontrar resistência interna.

Polarização no ambiente externo

Outro desafio é implementar uma organização plural e aberta a divergências de ideais em um ambiente externo polarizado. É importante que a empresa planeje a melhor abordagem para evitar riscos das pessoas se fecharem em grupos internamente.

Representatividade

Um quarto desafio é promover a contratação e crescimento dos grupos sub-representados na empresa. Aliás, muitas vezes, a empresa nem sequer tem consciência de quanto é a lacuna entre os percentuais de cada grupo na sociedade e na organização.

Diversidade e liderança

A liderança é um desafio em dois sentidos. O primeiro é capacitar os líderes para promover as discussões, saber demonstrar respeito por pessoas diferentes, lidar com conflitos no ambiente de trabalho, etc. O segundo é ter uma representatividade mais igualitária de diferentes grupos nesses cargos.

Como promover a diversidade cognitiva na empresa?

Após entender os benefícios e desafios da diversidade cognitiva, você pode implementar ações que terão um impacto positivo para promover esse valor na empresa. Confira cinco dicas para começar as mudanças.

Estimule e fortaleça a boa comunicação entre os colaboradores

Um bom começo é o envolvimento dos colaboradores. Nesse sentido, a empresa pode adotar uma série de estratégias para que os profissionais desenvolvam hábitos ligados à boa comunicação.

Os treinamentos em algumas competências comportamentais, como comunicação assertiva, empatia, escuta ativa, é um exemplo do que pode ser feito. Muitas vezes, o colaborador apenas não sabe como expor sua opinião, divergir sem agredir, valorizar a opinião dos demais.

Outro é a produção de conteúdos voltados para sensibilizar as equipes sobre a importância do respeito e diversidade. Procure usar diferentes canais, como workshop, vídeos, ebooks, infográficos e podcasts sobre o assunto.

Com a participação dos líderes, dê mais peso às competências mencionadas e aos comportamentos ligados ao respeito nas avaliações de desempenho e feedbacks. Com isso, haverá mais reforço desses comportamentos.

Lembre-se, no entanto, de que o objetivo não é promover uma caça às bruxas. É importante que o acompanhamento do colaborador tenha o foco em sensibilizar e ajudar o seu desenvolvimento, em vez de simplesmente impor as novas diretrizes.

Identifique perfis que podem agregar a pluralidade

Para promover a diversidade cognitiva, a empresa pode tentar conhecer melhor colaboradores e candidatos. Ao entender o perfil de cada um, podemos montar equipes plurais, combinando diferentes perspectivas.

Na prática, encontramos diferentes tipos de análise de perfil. Para montar uma breve lista de exemplos, existem ferramentas para avaliar os seguintes aspectos:

  • perfil comportamental (planejador, analítico, comunicador e executor);
  • teste DISC (dominante, influente, estável ou cauteloso);
  • estilo de tomada de decisão (analítico, diretivo, comportamental e conceitual);
  • estilo de liderança (liberal, autocrático, democrático ou situacional).

Perceba que, rapidamente, conseguimos uma lista bastante variada de atributos para serem avaliados e compor equipes com pensamentos mais diversificados.

Modifique os critérios do processo seletivo

Mesmo quando o turnover está controlado, a saída de alguns colaboradores é um processo natural. Por isso, ao fazer ajustes no processo seletivo, podemos gradativamente trazer mais diversidade cognitiva para o capital humano.

Uma boa mudança é focar nas avaliações dos candidatos não apenas na conformidade com as funções do cargo. Use, principalmente as técnicas qualitativas, como entrevistas e dinâmicas, para entender o que cada pessoa pode trazer de diferente.

Outra boa atitude é coletar o feedback dos candidatos e analisar o processo para verificar se há vieses no processo seletivo. Há, inclusive, medidas práticas para reduzir esse problema, como tomar as decisões em grupo e usar métodos de análise às cegas.

Crie canais para ouvir as pessoas

A empresa pode se abrir para ouvir colaboradores em relação às melhorias que podem ser realizadas. Em uma perspectiva mais geral, isso pode ser feito com a pesquisa de clima, que vai avaliar todo o ambiente de trabalho.

Os líderes podem ser encarregados de coletar sugestões e escutar os colaboradores. É uma prática que terá mais sucesso se os gestores das equipes tiverem uma relação de confiança para com os liderados.

Crie também oportunidades para que os colaboradores participem dos debates e discussões relevantes para a empresa. Ouvir pessoas que possam representar os grupos de colaboradores, criar comitês temáticos para sugestão de melhorias e fazer pesquisas junto a talentos dos grupos sub-representados são exemplos.

Realize capacitações de liderança

Para finalizar, é importante cuidar da capacitação dos líderes em relação à promoção da diversidade no ambiente de trabalho. Afinal, são os gestores de equipes que vão atuar na ponta para promover os valores organizacionais.

Por exemplo, imagine um líder que apenas finge que ouve os colaboradores, sem nunca verdadeiramente considerar opiniões divergentes. Mesmo que a empresa tenha o propósito de ser mais aberta em relação às formas de pensar, o discurso não ganha eco na prática.

Em muitos casos, o desenvolvimento de liderança terá de passar por etapas. Em primeiro lugar, a pessoa deixará de depender apenas da hierarquia do cargo e começará a influenciar as pessoas. Depois, com a capacitação inicial, o profissional pode se voltar para outras contribuições, como a diversidade e inclusão na empresa.

A diversidade cognitiva será um investimento na própria organização, que contará com mais adaptabilidade, criatividade e inovação. Por isso, é importante abordar os diferentes níveis em que ela acontece, como recrutamentos, ambiente de trabalho saudável e capacitação de liderança.
Gostou do artigo? Se desejar aprender mais sobre diversidade e liderança, confira o nosso guia completo sobre diversidade nas empresas!

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