Por: Lina Nakata

cientista de dados da GPTW e professora da FIA Business School

Por: Lina Nakata

cientista de dados da GPTW e professora da FIA Business School

6 abril, 2020 • 10:12

Nos tempos do coronavírus, temos vivenciado uma preocupação gigante em relação às perdas financeiras e ao mega prejuízo que já está acontecendo em todas as partes do mundo. É inevitável que não pensemos nisso, pois estamos vendo muitos estabelecimentos fechados, ruas sem movimento e inúmeros eventos sendo cancelados. Mesmo os jogos olímpicos – o maior evento do mundo que acontece a cada quatro anos – tiveram que ser adiados, algo que nunca ocorreu em 124 anos de história. Até então, o evento tinha sido cancelado em três ocasiões (1916, 1940 e 1944) por motivos de guerra, mas nunca adiado.

Certamente ninguém quer sofrer pelo lado econômico, mas já temos alguns dados que ilustram essa tendência: segundo a pesquisa do LIDE – Grupo de Líderes Empresariais, realizada no fim de março, com quase 400 empresas brasileiras, 58,7% delas afirmou que espera perder até 50% ou mais de suas receitas nos próximos 90 dias. É uma queda extremamente significativa. Além disso, até o fim de março de 2020, 9% delas já havia feito demissões em decorrência do coronavírus, assim como 17,6% concedeu férias coletivas e 15,6% reduziu a jornada de trabalho.

E nesse processo, o que acontece com o capital humano?

Capital humano não é um tema novo: o economista Theodore Schultz, em 1961, já falava sobre investimentos em capital humano e é o autor mais citado no assunto até hoje. Adam Smith, em 1776, inicialmente conceitou capital humano como “a aquisição de talentos por meio de educação, estudo ou aprendizado, ou seja, o capital contido em uma pessoa; tais talentos são parte da fortuna de alguém, da sociedade”. Trazendo para os dias atuais, podemos dizer que capital humano é o conjunto de conhecimentos, atributos, habilidades, competências e experiências acumuladas de uma pessoa que, ao transformar recursos, gera algo mais valioso. Se pensarmos em alguns séculos ou décadas para trás, capital humano poderia ser igualado a força de trabalho. Quando falamos em capital humano agora, é bem comum remetermos a educação, criatividade e inovação.

Estaria esse tópico na pauta das organizações? Muitas empresas estão vendo e revendo as perdas financeiras neste momento, mas poucas delas têm se preocupado genuinamente com o capital humano. Se as pessoas percebem que estão em segundo – ou terceiro, quarto, quinto… – plano, é muito possível que elas não desenvolvam o seu potencial máximo, ou seja, deixam ser quem são e podem oferecer muito menos valor em troca. A questão não é a pessoa perceber que faz algo para ter um salário em contrapartida, mas, sim, colaborar com tudo aquilo que trará ganhos significativos para as empresas. A comunicação transparente é fundamental neste momento, para que todos entendam as ações que tiveram que ser tomadas pela gestão (o que é e será bem frequente, e mais do que necessário), e ouvir os colaboradores com suas ansiedades torna-se super importante.

Cuidar das pessoas – capital humano – também é estratégico! São elas que fazem a diferença, e ainda mais em situações críticas como esta em que estamos todos enfrentando. Dentre as 150 Melhores Empresas Para Trabalhar no Brasil, temos estes indicadores, que revelam a percepção dos colaboradores acerca das afirmações abaixo em uma escala que varia de 0 a 100:

  • Sinto que eu faço a diferença aqui: 89
  • Os líderes incentivam ideias e sugestões e as levam em consideração de forma sincera: 88
  • Os funcionários aqui estão dispostos a dar mais de si para concluir um trabalho: 88
  • Os líderes mostram interesse sincero por mim como pessoa e não somente como empregado: 86

Isso mostra um grande peso para a importância do capital humano. Não é à toa que essas empresas sejam tão rentáveis e melhores para seus stakeholders. O coronavírus vai deixar cicatrizes monetárias por anos, mas o grande legado será deixado pelas pessoas, que passarão a ser mais resilientes e fortes mentalmente, relacionar-se de uma forma mais empática – mas também ágil e digital – e preocupar-se com várias outras questões que têm emergido. É um capital precioso!

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3 Comentários

  • Postado por: Claudia Minamoto •

    Muito pertinente a matéria! Como empregados e líderes, a pressão que estamos sofrendo para ajudar acionistas a manter a empresa operando é exaustiva, e, muitas vezes, as decisões não são aquelas que gostaríamos de tomar para motivar e reter os talentos que são a base do sucesso do negócio. Tempos difíceis… Mas na dificuldade, vamos enxergar as oportunidades de melhora como pessoa, como profissional, e, principalmente, deixar de lado melindres, egos e egoísmos em prol de algo maior e coletivo. Força para todos nós! Abç

  • Postado por: André Jatene •

    Ótima reflexão. Na Quadrante Investimentos conseguimos encontrar um bom equilíbrio entre capital humano x capital financeiro.

  • Postado por: Lucas Monteiro de Jesus •

    Muito importante e relevante este texto. Entender o capital humano como capital, patrimônio, e peça chave na estratégia da empresa é relevante não só para o momento como este que estamos passando, onde a tomada de decisão deve sim considerar os valores intangíveis, mas para toda uma gestão mais competente que assegura que suas decisões e direções consideram o fator HUMANO no processo.

    Parabéns a GPTW, ao criador e ao editor do texto!

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