Por: Anna Oliveira e Lina Nakata

Por: Anna Oliveira e Lina Nakata

19 dezembro, 2018 • 4:44

Todo ano, o dicionário Oxford elege uma palavra para representar o ciclo que se encerra. Trata-se de um termo ou de uma expressão que reflete a cultura, os costumes e/ou as preocupações da época — e, no caso de 2018, o vocábulo de destaque foi “toxic” (“tóxico”, em português).

Coincidentemente — ou seria consequentemente? — , a palavra que caracteriza os últimos 12 meses tem a ver com aquela que é considerada a doença do século XXI, o estresse. Afinal, como explica um texto divulgado no site do dicionário de língua inglesa, a escolha do termo levou em consideração o seu uso tanto no sentido literal — relacionado à sua propriedade de envenenar —, quanto no metafórico. Neste segundo caso, o termo “tóxico” foi empregado muitas vezes para descrever, veja só, os ambientes de trabalho. Mais especificamente, relacionado ao impacto que um clima organizacional nocivo gera na saúde mental dos funcionários.

Nos últimos dez anos, foi observado um crescimento de quase 20 vezes no número de concessão de auxílio-doença em decorrência de transtornos mentais e emocionais, levando tais condições para o segundo lugar dentre os principais motivos de afastamento do trabalho, segundo o Ministério da Previdência Social. O Brasil, aliás, é o segundo país no mundo com mais trabalhadores estressados, ficando atrás somente do Japão, de acordo com a ISMA – International Stress Management Association.

Para quem acha que essa conversa não passa de “mimimi”, o Fórum Econômico Mundial deixa um alerta: até 2030, estima-se que os gastos relacionados à saúde mental ultrapassem a marca de 6 trilhões de dólares por ano. Neste relatório, a organização destaca que os custos com transtornos mentais já são superiores aos de condições como câncer, doenças crônicas respiratórias e diabetes.

De onde vem o estresse?
Em tempos de crise econômica e política, é comum atribuir ao cenário do país toda a culpa pelos resultados ruins nos negócios. Apesar de, sim, existir uma relação entre essas partes, curiosamente os resultados de uma enquete no site do Great Place To Work mostraram que a “dor de cabeça” dos funcionários tem origem muito mais no ambiente de trabalho (adivinhe!) tóxico do que em elementos externos, como clientes exigentes ou instabilidade de emprego por conta da economia em colapso.

Gráfico - estresse

Sobrecarga de trabalho e acúmulo de funções foram as razões apontadas, respectivamente, em primeiro (19%) e terceiro (15%) lugares pelos 390 respondentes. Ambas fontes de estresse costumam ser consequências de organizações que encaram os desafios de um mercado conturbada, reduzindo a folha de pagamento, redistribuindo tarefas e aumentando a produção para fechar a conta no fim do ano. Isso significa que, claro, a economia tem seu impacto e que a pressão externa tem a sua parcela de culpa no estresse do brasileiro. No entanto, a forma como uma empresa vai lidar com os efeitos externos em seu contexto interno impacta (e muito!) na saúde mental e emocional dos profissionais — e, consequentemente, na produtividade.

Nessa linha de pressões que vêm do próprio local de trabalho, 14% dos participantes apontaram o(a) gestor(a) imediato(a) como a principal fonte de estresse, enquanto 11% identificaram a pressão por metas como a raiz do problema. Além disso, as falhas na comunicação representam o segundo motivo mais relevante: muitas vezes, a falta de informações e a confusão na transmissão das mensagens geram problemas que poderiam ser facilmente – e gratuitamente – solucionados.

Infelizmente, apenas 2% das pessoas responderam não ter fonte de estresse no trabalho. Resultado que, talvez, indique um caminho para aqueles(as) que estão trabalhando no planejamento estratégico de 2019. E se a sua meta fosse construir um ambiente de trabalho saudável?

Para entender melhor o que são ambientes de trabalho tóxicos, o seu impacto no negócio e como evitar essa situação, confira o webinar com Daniela Diniz, diretora de Conteúdo e Eventos do GPTW.

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2 Comentários

  • Postado por: Júlio Dantas Carneiro Monteiro •

    Gostaria de compartilhar esse conteúdo com meus gestores. Vcs poderiam me ceder esse arquivo ?

    Grato .

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