Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

Por: Alexandre Caldini

autor do livro "Networking versus Notworking"

28 maio, 2020 • 12:49

Como você responderia à esta pergunta: posso confiar em você? Se você for uma pessoa honesta provavelmente responderá que sim. Se você for uma pessoa desonesta provavelmente também responderá que sim! Nenhum vigarista avisa suas vítimas de que não é uma pessoa confiável.

É difícil decidir quem merece e quem não merece a nossa confiança. E confiança é algo bem importante, pois é a base de todas as nossas relações e de todos os nossos relacionamentos, incluindo aí, claro, o Networking. Ao pensar no assunto fui verificar nos dicionários online o significado da palavra “confiança”.

Confiança: aquele que acredita na sinceridade de algo ou de alguém. Crença na retidão moral, no caráter e na lealdade de uma outra pessoa. Fé que se deposita em alguém. Acreditar plenamente, com firmeza.

Olhando a definição de confiança e correndo o risco de estar exagerando, diria que nós não confiamos uns nos outros. Desconfiamos dos acionistas e empresários, desconfiamos dos governos e políticos, desconfiamos de policiais e juízes, desconfiamos de nossos cônjuges, de nossos namorados ou namoradas, de nossos filhos e pais. Desconfiamos de nossos chefes, pares e subordinados. Desconfiamos de fornecedores e clientes. Desconfiamos do dono da padaria e do médico. Desconfiamos da imprensa e das redes sociais. Desconfiamos de bancos e igrejas. Desconfiamos de milionários e miseráveis. E temos razão de sobra para desconfiar deles todos ou quase todos.

Neste momento em que a pandemia colocou muitos de nós para trabalhar em casa, longe dos olhos dos chefes, a desconfiança explodiu. Muitos se perguntam: como posso saber se meu subordinado está mesmo trabalhando? E se ele estiver dormindo até tarde? Ou jogando videogame? E se ela estiver assistindo sua série predileta no meio da tarde?

Mas, mesmo tendo alguma razão para desconfiar, deveríamos confiar. Deveríamos confiar porque têm muita gente justa e boa, e também porque precisamos construir uma sociedade onde a confiança impere. O custo da desconfiança é altíssimo. Por desconfiar instalamos caríssimos sistemas de segurança por toda parte: em nossas casas, empresas, carros e computadores. E essa desconfiança nos traz um custo não financeiro ainda muito maior: passamos a vida sobressaltados, preocupados, atentos, a espreita, temerosos e azedos. A desconfiança, que nos custa dinheiro, custa também a nossa paz e a nossa saúde.

Quando se fala em Networking ou há confiança ou não há Networking de verdade.
Networking são contratos virtuais de confiança. Nos relacionamos com determinada pessoa confiando que ela não nos surpreenderá negativamente. Esperamos dela comportamento fraterno, liso e colaborativo. Mas se contamos que nosso parceiro numa relação afetiva, profissional ou de negócio seja confiável; a pergunta é: oferecemos a ele o mesmo? Nós somos confiáveis?

Alguém que fala pelas costas, maledicente, que manipula seus relacionamentos e as informações, que é dissimulado, não é alguém digno de confiança. É um predador de relacionamentos. Alguém que usa as pessoas, e mantém uma relação exclusivamente para tirar algum proveito dela, não é confiável. Todos os nossos relacionamentos, claro, envolvem a expectativa de algum benefício, e está tudo certo. Num casamento queremos companhia, amizade, proteção, sexo, amor, carinho, cuidado e apoio por exemplo. Mas um casamento onde queremos tudo e não oferecemos nada, não se sustenta. Relacionamentos pressupõe troca. Quem só quer se beneficiar não construirá relações genuínas, porque ele mesmo não é genuíno. Aquele que é interesseiro, manipulador, falso e bajulador, não nos iludamos, não consegue relações fortes e sinceras. Ninguém é bobo! Todos percebem seu interesse egoísta e sua amizade fraudulenta. Alguém que assim age faz Notworking. Não vive Networking.

E, no caso do home office, como fica a confiança? A empresa e seu chefe podem confiar em você? E você, pode confiar em seus subordinados? A pandemia está exigindo que repensemos muitos de nossos comportamentos, nossos valores e crenças. Entre eles está a confiança. Chefes e subordinados terão de reforçar a confiança entre eles. Passou o tempo do command and control, onde o chefe controlava os subordinados em cada ação e a cada minuto. Amadurecemos. No modelo de trabalho remoto, trabalhamos por projetos. Projetos têm prazo e qualidade pré-estabelecidos.

Se o subordinado trabalhará no projeto durante as madrugadas ou finais de semana, tanto faz; o que importa é que entregue a tarefa no prazo e na qualidade acordados. Nesse pensamento, também tanto faz se o funcionário quiser lavar seu carro na quarta-feira a tarde, ou tomar sol durante toda a manhã na sexta, ou ainda passear com o cachorro todos os dias entre 16 e 17 horas. O que importa é a entrega do resultado e, também, claro, estar disponível para as reuniões via web previamente agendadas. Apenas chefes obtusos, fracos, inseguros e autoritários, seguem, mesquinhos, monitorando onde o subordinado está. Se o trabalho está bem feito, que lhe importa quando foi feito?

Alguns se oporão repetindo a tediosa queixa: “É, mas eu já confiei e tive a minha confiança traída!”. Acontece, claro. E seguirá acontecendo. Mas não é porque fomos traídos em nossa confiança que o melhor para nossos relacionamentos será desconfiar de todos. Nunca. Essa desgastada argumentação usa quem não admite ter seu enorme ego arranhado. Sejamos melhores que isso. Promovamos a confiança mesmo sabendo que a quebra de confiança ainda existe. Que ela exista, mas que não impere.

Se quisermos construir uma rede de relacionamentos ética, robusta e eficaz, precisamos confiar. E para isso, um bom começo, seria voltarmos à pergunta inicial: Posso confiar em você? Trabalhemos imediatamente e arduamente para poder, sinceramente e orgulhosamente afirmar: Sim! Você pode confiar em mim.

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