Por: Daniela Diniz

Por: Daniela Diniz

20 março, 2020 • 12:55

“Se os funcionários ficarem em casa, irão assistir à TV, jogar videogames, dormir, qualquer coisa, menos trabalhar”. Esta frase vem sendo proferida por alguns líderes Brasil afora. Sabemos que a prática do home-office, embora crescente no mundo, ainda é encarada com desconfiança por boa parte dos gestores. Não importa se o trabalho desenvolvido por sua equipe possa ser feito à distância, tampouco se sua empresa tem a tecnologia disponível para essa prática (notebooks, internet, ferramentas de webconferência), o que está em jogo é a confiança. E esse é um dos comportamentos que mais tem sido colocado à prova em tempos de pandemia. 

Quanto maior a relação de confiança entre as partes envolvidas num projeto, num trabalho ou numa missão – como a que a humanidade enfrenta atualmente –, melhor o resultado. Ao adotar medidas como suspensão de aulas, fechamentos de museus e shoppings, cancelamentos de eventos, os governantes esperam – sem ter de precisar partir para o comando e controle – que a população colabore e cumpra as orientações de ficar em casa e evitar aglomerações. Essa expectativa será mais ou menos correspondida de acordo com o grau de confiança que existe entre governo e sociedade. Quanto mais acreditamos que essas medidas sejam as corretas e confiamos nas orientações que nos são passadas, mais as seguiremos. 

O mesmo vale para o mundo corporativo. Qual a relação de confiança que você, como líder, nutre com sua equipe? Você acredita que, mesmo distante fisicamente, ela estará desempenhando suas funções e dando o seu máximo potencial em prol dos negócios? Ou você é do time do “faz de conta que acredita”? Dentre as 150 Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, 82% adotam horário flexível e 61% já estimulam o home-office, de acordo com a nossa última pesquisa, de 2019. Por que elas são mais tecnológicas? Não necessariamente! Porque elas confiam mais nas suas equipes. 

Importante lembrar que confiança gera autonomia. E autonomia gera inovação e engajamento. Quanto mais liberdade o profissional tiver para trabalhar – isso envolve o espaço físico e os horários – maior a chance de ele brilhar e ficar na sua empresa. Ao oferecer aos funcionários controle sobre suas próprias ações, as empresas saem da simples e previsível rotina corporativa (segunda à sexta, das 9h às 18h, por exemplo) e evoluem para algo muito mais valioso: fluxo de trabalho contínuo e aumento da produtividade. Quando os times trabalham com mais liberdade, eles respondem com criatividade e comprometimento.  

Há vários exemplos de empresas que têm promovido o conceito do trabalho anywhere, anytime (qualquer lugar, qualquer horário). Elas perceberam que afrouxar o cinturão do controle faz com que cada um dê o seu máximo, aumente a produtividade e o sentimento de lealdade. Um dos casos mais recentes é o do escritório da Microsoft no Japão, que decidiu parar de trabalhar às sextas-feiras e revelou um aumento de 40% em sua produtividade. E um dos exemplos mais clássicos de trabalhar com liberdade vem da Patagonia, empresa americana que confecciona e comercializa roupas e acessórios para usar ao ar livre, com mais de 2 mil funcionários. 

Lá, autonomia e tempo fora do trabalho são mais do que incentivados, são exigidos. Seus colaboradores aproveitam o “expediente” para surfar, andar de bicicleta, escalar, ter aulas, pegar as crianças na escola e, claro, trabalhar. Segundo a companhia, fundada por Yvon Chouinard, o resultado dessa liberdade e autonomia toda são: engajamento, lealdade e baixo turnover. “O trabalho deveria ser agradável diariamente. Todos deveríamos trabalhar nas pontas dos pés, subindo as escadas dois degraus de cada vez. Estar cercados de amigos que possam se vestir da maneira que quiserem (até descalços). Deveríamos ter tempo flexível para surfar nas ondas quando estão boas ou esquiar na neve ou ficar em casa e cuidar de uma criança doente. Deveríamos acabar com essa distinção entre trabalho, diversão e família”, escreveu Chouinard em seu livro Let My People Go Surfing (Lições de um empresário rebelde, na tradução brasileira). 

Em tempos de coronavírus, fomos obrigados a acabar de vez com essa distinção. Seus funcionários estão, sim, trabalhando de casa e fazendo o almoço para os filhos e assistindo a um filme – e não importa em qual ordem ou qual horário. Se para você isso ainda soa estranho e inadequado, aproveite este momento para construir relações de confiança, mudar seu modelo mental e transformar sua rotina corporativa. A pandemia pode ser o catalisador nesse processo de transformação cultural. Você vai perceber que os funcionários do século XXI vestem a camisa da empresa não em troca de salário e benefícios, mas em troca de confiança. Use esse tempo a seu favor, a favor do seu time e, consequentemente, a favor dos seus negócios.

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